ReproduçãoJames Dean: ícone da rebeldia deixou uma história que mais parece lendaNão fosse aquele Porsche Spyder prateado e reluzente, rodando a 170 quilômetros por hora, no dia 30 de setembro de 1955, que seria hoje de James Dean? Estaria fazendo pontas milionárias em filmes de sucesso, participação especial em seriados de TV, optado pela carreira de diretor, relembrando o passado com o gosto amargo de um possível êxito passageiro?
O garoto rebelde de 24 anos que teve morte instantânea quando seu carro se chocou com outro no cruzamento das estradas 41 e 466 (Estrada de Salinas), não deixou pedra sobre pedra. Congelou o tempo naquele instante. O aniversário em torno de James Dean nesta terça-feira é de luto.
Amanhã, às 22h, o programa Cinemascope, da Rádio Educativa FM, de Curitiba, será dedicado a ele, com as trilhas sonoras dos três filmes que marcaram a carreira do ator: ‘‘Vidas Amargas’’ e ‘‘Juventude Transviada’’, ambos de 1955, e ‘‘Assim Caminha a Humanidade’’, de 1956, que ele não chegou a ver. Morreu antes mesmo que as últimas cenas fossem rodadas.
De 3 a 5 de outubro o MIS realiza um Festival James Dean, às 19h, com entrada franca. Serão apresentados respectivamente ‘‘Vidas Amargas’’, ‘‘Juventude Transviada’’ e ‘‘Assim Caminha a Humanidade’’.
TímidoJames Byron Dean nasceu em Marion, cidadezinha do Estado de Indiana, a 8 de fevereiro de 1931. Wilton Dean, o pai, era dentista e seguidor da religião quaker. A mãe, Mildred, de moral muito rígida, vinha de uma família modesta de granjeiros metodistas. O filho, Jimmy, era excessivamente tímido. Não conseguia se relacionar com os colegas da escola.
A essas alturas a família tinha deixado o interior e se mudado para Los Angeles. Duro golpe para o garoto: a mãe morre quando ele tem apenas 9 anos. Mais tarde ele viria a queixar-se: ‘‘Minha mãe morreu deixando tudo nas minhas costas. Achava que eu poderia fazer tudo sozinho?’’
Seja como for, em sua passagem pela escola secundária o rapaz foi ótimo jogador de basquete e beisebol. Frequentou a Universidade da Califórnia, em Los Angeles - cursou Direito por dois anos - e partiu para Nova York. Antes de entrar para a célebre academia Actor Studio ganhou seus trocados como garçom e cobrador de ônibus.
Sob orientação de Lee Strasberg conseguiu um bom papel na peça ‘‘The Immoralist’’, na Broadway. Vivia o papel de um árabe homossexual. O desempenho valeu-lhe um prêmio como ator revelação. A carreira começava a melhorar, depois de ter participado discretamente em três filmes, entre 1951 e 1953, e feito alguns comerciais para a televisão.
O consagrado diretor Elia Kazan descobre Jimmy, quando o leva para as telas em ‘‘Vidas Amargas’’, com roteiro baseado no livro ‘‘East of Eden’’, de John Steinbeck (no Brasil o romance recebeu o título de ‘‘As Vinhas da Ira’’). O sucesso é fulminante. Jimmy transforma-se em estrela da noite para o dia e assina contrato com a Warner por seis anos. Pelas cláusulas deverá fazer nove filmes nesse período, recebendo por cada filme a bolada de US$ 100 mil.
Em seguida é convocado por Nicholas Ray - outro grande diretor - para viver o jovem problemático de ‘‘Juventude Transviada’’. E, finalmente, vem ‘‘Assim Caminha a Humanidade’’, sob a batuta de George Stevens. Uma trajetória e uma história que o mundo conta e reconta desde aquele dia na estrada, envolvendo o Porsche prateado.
Homenagens a James Dean - os 42 anos de sua morte serão lembrados amanhã no programa ‘‘Cinemascope’’, da Rádio Educativa FM 97.1, de Curitiba, com as trilhas sonoras dos três principais filmes do ator. O Museu da Imagem e do Som (Rua Barão do Rio Branco, 395, tel. 232-9113) exibe de 3 a 5, às 19h, respectivamente, ‘‘Vidas Amargas’’, ‘‘Juventude Transviada’’, ‘‘Assim Caminha a Humanidade’’. Entrada franca.

mockup