A literatura visual de Valêncio
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de março de 1999
Luiz Claudio Oliveira 
O escritor Valêncio Xavier está em evidência não só no Paraná, onde já construiu uma carreira também como homem de televisão e cineasta, além da literatura. Mez da Grippe e outros livros, lançado no ano passado, que reúne várias obras do artista, foi agraciado com o cobiçado Prêmio Jabuti de Literatura, dado pela Câmara Brasileira do Livro, na categoria de produção editorial. O Prêmio será entregue durante o Salão Internacional do Livro de São Paulo - evento que substituiu a antiga Bienal do Livro - que acontecerá de 21 de abril a 2 de maio no Expo Center Norte, em São Paulo.
O escritor, talvez pelo seu passado ligado a imagens, conquistado nos anos de batalha na televisão e no cinema, gosta das formas visuais e transpõe isso para a sua literatura. O premiado Mez da Grippe é uma coleção de imagens que formam o livro, e entram na obra com igual ou maior importância do que a parte literária.
Ninguém hoje, no mundo inteiro, faz essa fusão imagem e texto com tamanha perfeição quanto Valêncio Xavier.
As heranças visuais do artista vêm de seu trabalho como um dos pioneiros na televisão paranaense, a participação no SBT de Sílvio Santos, além de larga experiência com cinema. Foi o primeiro diretor da Cinemateca de Curitiba - nascida Cinemateca do Museu Guido Viaro - e ali coordenou vários cursos e formou dezenas de amantes e praticantes de cinema no Paraná.
Hoje, dividido entre imagem e texto, decidiu casar com os dois. Mostra-se um parceiro perfeito, que consegue satisfazer as duas amantes e, mais que isso, fazê-las conviver pacificamente e em perfeita ordem.
O Paraná de Dalton Trevisan, Cristovão Tezza, Domingos Pelegrini, Paulo Leminski, Alice Ruiz, Otávio Duarte, Marcos Prado, e tantos outros - além dos importados Décio Pignatari e José Castello - tem hoje, com Valêncio Xavier, mais uma chance de mostrar sua excelente literatura ao mundo inteiro.


