Paulo Polzonoff Jr.
De Curitiba
Especial para a Folha2
A romancista francesa Nathalie Sarraute morreu na última terça-feira em sua casa em Paris. A escritora, de 99 anos, foi um dos expoentes do movimento Nouveau Roman, que marcou a literatura dos anos 50.
Nathalie Sarraute nasceu numa aristocrática e intelectualizada família
judia-russa em 18 de julho de 1900. Seus pais, porém, se separaram quando ela tinha apenas dois anos. Nathalie viveu divida entre Paris, onde morava sua mãe, e Moscou, onde morava seu pai. Graças a isto, tornou-se fluente em russo, francês, inglês e alemão. Sua vida de peregrina terminou quanto os nazistas ocuparam a França. A vida entre vários idiomas foi decisiva na composição de sua obra polifônica e de grande inventividade.
Foi em 1932 que Nathalie Sarraute começou a escrever sua obra-prima, ‘‘Tropismo’’. O título se refere à reação involuntária que algumas plantas apresentam ao serem estimuladas externamente. Composto por 24 histórias, ‘‘Tropismo’’ já lançava os conceitos que iriam definir a obra de autores como Alian Robbe-Grillet, Claude Simon e Marguerite Duras, unidos em torno da revolucionária estética do Nouveau Roman.
Nathalie Sarraute era considerada por Jean-Paul Sartre, um de seus admiradores, uma anti-romancista. Seus livros apresentavam inovações que remetem imediatamente ao experimentalismo de James Joyce, Virgínia Woolf e Proust. Declaradamente contra o formalismo das obras de Balzac e Flaubert, Sarraute propunha uma novela capaz de não se prender sem a cronologias nem à engenhosa construção dos personagens.
Nos últimos anos de vida, Sarraute mostrou-se preocupada com o empobrecimento do idioma francês. Produzindo até o fim da vida, Sarraute morreu sem concluir o livro no qual estava trabalhando.
Em tempo: não há livros de Nathalie Sarraute editados no Brasil.

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