Obras do pintor francês Claude Viallat abrem hoje a 2ª edição da Mostra de Cultura Brasil-França, que vem intitulada ''Contradições do Ser, Contrastes do Existir''. A sede da exposição é o Salão Paranaguá, do Memorial de Curitiba. Além da mostra, o evento contempla o cinema francês, com exibições na Cinemateca de Curitiba.
O tema sugere uma reflexão sobre a condição humana, com ênfase para a vivência nas grandes cidades, e temáticas delas derivadas, como solidão, amor, sofrimento, desigualdade social e a própria perda da humanidade vão fazer parte dos trabalhos.
Funcionando como uma espécie de radiografia da produção cultural contemporânea, tanto brasileira quanto francesa, a mostra busca contemplar áreas de expressão específicas, conferindo a cada uma delas uma temática, buscando apresentar e estabelecer reflexões que demonstrem as problemáticas cotidianas de nosso tempo.
Nas artes visuais, a proposta foi a de encontrar expressões ligadas ao cotidiano das grandes cidades. Daí o nome de Claude Viallat. O rompimento da linearidade na arte estabelece um diálogo com o caos da metrópole. A estética resultante desse contato poderá ser encontrada na obra do artista.
Segundo o curador da mostra, Yves Lozé, os trabalhos de Viallat que serão mostrados aqui fazem parte da sua produção mais recente. O artista expõe 13 obras, todas com o desenho que marca todo o seu trabalho desde 1965. ''Não tem a ver com símbolos nem com qualquer outra coisa que não seja sorte. Para Viallat, a forma é um acessório, o mais importante é a cor ou o jogo de cores'', conta.
Com materiais pouco utilizados em obras de arte, Viallat faz o suporte de seus trabalhos de tecidos de toldos, de guarda-sol, de lençóis militares e até de uma calça comprida. As cores são as oferecidas pela indústria, que o artista mistura ao seu bel prazer. ''Não há alguma referência, mas apenas inspiração'', reconhece o curador. Os trabalhos são em diversas dimensões, mas chegam a 3,50 por 3,62 metros.
Viallat é conhecido e considerado um dos artistas europeus que mais contribuiram para romper com a arte em locais fechados e trazê-la para as ruas, num movimento que começou em Nice, nos anos 60. Essas obras são marcadas pela difusão das cores nos tecidos. Às vezes são usados dois tecidos, um por cima do outro, e o desenho final é aquele que o primeiro pano embebeu e deixou passar.
O artista usa também colagem de materiais diferentes, como algodão, tecidos de estofados, de roupas, que unidos formam uma combinação inusitada e agradável.
Claude Viallat nasceu em 1936 em Nimes, França. Filho de um advogado protestante, Claude teve sua infância e adolescência ancorada no seu povoado, onde os touros e as tradições eram elementos representativos. Em 1955, Viallat entrou para a escola Beaux-Arts em Montpellier para estudar arquitetura, mas foi na pintura que ele encontrou a sua melhor satisfação, curiosidade e com certeza o seu melhor investimento.
Se quiséssemos tentar uma definição global das obras de Claude Viallat, poderíamos utilizar a expressão: ''a liberdade rígida da forma''. Forma com que o oximoro mantém a tensão vibrante das obras entre a racionalidade da sequência e a liberdade garantida da cor, entre a pintura e a desestruturação da própria pintura, entre a aspiração ao todo e a necessidade de expressar cada elemento.
Mostra de Cultura Brasil-França , com exposição do artista plástico francês Claude Viallat, de hoje ao dia 19 de dezembro, no Salão Paranaguá, do Memorial de Curitiba. O horário do funcionamento da exposição será de terça a sexta-feira, das 9 às 18 horas, sábados e domingos, das 9 às 15 horas. A entrada é franca e tem um monitor para orientar.

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Mostra Cinema França: ''Claire Dolan'', ''Encontros em Paris'', ''Instituto de Beleza Vênus'', ''Nível 5'', ''Post Coitum - Animal Triste'', ''A Vida Sonhada dos Anjos'', ''Sitcom (nossa linda família)'' e ''Quando tudo Começa'', de 7 a 14 de dezembro, na Cinemateca de Curitiba (Rua Carlos Cavalccanti, 1174), às 19 e 21 horas, entrada franca.

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