Contato mais próximo com a natureza, liberdade para conhecer os lugares e recepção calorosa dos moradores. Essas são algumas das vantagens citadas por quem opta pelo cicloturismo. De bicicleta e capacete, o viajante cai na estrada com a certeza de que esse é um excelente jeito de viajar.
O cicloturismo tem raízes na Europa, onde é uma tradição. ''A estrutura é ótima para esse tipo de viagem'', diz Paulo de Tarso, presidente do Sampa Bikers. Ele destaca países como Holanda, França, Itália, Alemanha e Suíça, nos quais existem extensas ciclovias e acomodações específicas para ciclistas.
No Brasil, a história é outra. ''Os hotéis não têm locais para guardar as bicicletas e não deixam levá-las para o quarto'', diz Tarso. ''Algumas custam caro e não dá para largá-las num canto.'' Outros problemas são a falta de acostamento nas rodovias e o desrespeito dos motoristas.
A razão disso está na cultura do turismo em bicicletas no País, ainda recente e pouco divulgada. Porém, há mais adeptos do que se imagina. Pioneiro, o Sampa Biker surgiu há 13 anos e já tem 13 mil sócios.
Criado em 2001, o Clube de Cicloturismo (www.clubedecicloturismo.com.br) tem seis mil integrantes, entre 13 e 67 anos de idade. ''A maioria já está iniciada no ciclismo'', diz Eliana Garcia, fundadora do clube.
Eliana viaja de bicicleta desde 1988. Já foi para as chapadas dos Veadeiros (GO), Diamantina (BA) e Guimarães (MT), para o Pantanal, Sul do Brasil, Serra da Canastra (MG) e América do Sul. ''Você é melhor recebido pelas pessoas, pois elas vêem que foi um esforço chegar ali.''
Eliana viu de perto a tímida popularização do cicloturismo no Brasil. Atualmente, as rotas mais procuradas são o Caminho da Fé, de Tambaú a Aparecida, em São Paulo, e a Estrada Real, em Minas Gerais. ''Mas muita gente ainda não sabe como é acessível'', diz.
A dona de casa Eliana Nunes, de 57 anos, descobriu isso no feriado de Corpus Christi, quando estreou como cicloturista. no litoral do Paraná. Ela já pedalava nos fins de semana e quis viajar depois de ler sobre cicloturismo. ''O melhor foi a sensação de liberdade, o contato com a natureza e a solidariedade do grupo.'' A viagem fez parte de uma autodescoberta que dura oito anos. Eliana já fez trilhas no Brasil, trekking na Patagônia e escalada na Bolívia. ''Estou quite com a vida.''

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