Antes mesmo de ser inaugurado, o Museu da Fotografia recebeu em doação uma máquina que poderá se tornar a ‘‘estrela’’ da II Bienal Internacional de Fotografia, que acontece de 16 a 23 de agosto. A máquina é de fabricação artesanal e tem pelo menos 120 anos, segundo o doador, editor da Revista Paparazzi (SP), Carlos Cirenza. O valor da raridade é de R$ 100 mil.
Com objetiva da marca ‘‘La Hapel’’, a máquina não tem o nome do fabricante, mas ‘‘seguramente’’ é européia, talvez da Alemanha ou França, segundo Cirenza. A objetiva tem 20 centímetros de diâmetros, está montada num móvel de madeira original e tem foco de fole. ‘‘Esta máquina deveria ser usada em estúdio, por causa da dificuldade de locomoção. Os negativos eram feitos em chapa de vidro com 24 x 30 centímetros’’, descreve.
A outra novidade da Bienal, será a primeira audição da peça ‘‘Valsa Acadêmica’’, de Brasílio Itiberê. Músico paranaense, mais especificamente de Paranaguá, Itiberê estava um pouco esquecido, segundo a presidente da Fundação Cultural, Margarita Sansone. A peça foi transcrita do piano para orquestra e será executada pela Orquestra de Câmara de Curitiba, na abertura da Bienal, dia 16 de agosto. O ensaio geral aconteceu em Paranaguá, no dia dos 350 anos do município.
DivulgaçãoO vice-prefeito Algaci Tulio, Carlos Cirenza, da revista Paparazzi, Orlando Azevedo, curador da bienal e Margarita Sansone, presidente da Fundação Cultural de Curitiba olham a máquinaDia 17 de agosto serão abertas as exposições dos 42 fotógrafos selecionados pela curadoria de Orlando Azevedo. ‘‘No início seriam 39 profissionais mas chegaram mais três solicitações para exposições: ‘‘Brasil Bom de Bola’’, de vários profissionais que retrataram o futebol de várzea; ‘‘Shanti - O Caminho das Índias’’, de Gui Veloso (PA), com fotos do continente indiano; e ainda ‘‘Bem-Aventurados’’, do paulista Paulo Leite.
Entre as quatro exposições individuais do Paraná está a do fotógrafo paranaense Arthur Wischral que, antes de morrer, fotografou Curitiba e o caminho da ferrovia Curitiba/Paranaguá, no século passado. As fotografias usavam chapa de vidro. Os outros paranaenses, na II Beinal, são Vilma Slomp, Maurílio Chelli, Lina Faria e Ricardo Almeida.
Os profissionais brasileiros presentes em Curitiba são: Araquém Alcântara, Cássio Vasconcelos, Cláudia Andujar, Emídio Luisi, Evandro Teixeira, German Lorca, Lalo de Almeida, Manuel da Costa, Pedro Martinelli, Rosa Gauditano, Joaquim Paiva, José Oiticica, Márcio Scavone, Ella Durst, João Roberto Ripper, Bóris Kossoy.
Do âmbito internacional, a Argentina aparece com uma sala individual de Sara Facio e a mostra ‘‘Fotografia argentina a fin de siglo’’, as primeiras do Mercosul. Profissionais do Paraguai, Uruguai e do Chile também estarão expondo em coletivas.
O Centro Português de Fotografia traz a mostra ‘‘Murmúrios do Tempo’’, uma coleção de retratos dos boletins de identificação, produzidos no início do século, por cadeias da cidade do Porto.
Entre outras destacam-se pelo ineditismo a coleção ‘‘Farm Security’’, com fotos dos antológicos Walter Evans e Dorothea Lange; as fotografias do chinês Chen Bao Cheng; a exposição fotográfica do artista plástico Hélio Oiticica; e a primeira individual ‘‘Olhares’’, de Haruo Ohara, imigrante japonês estabelecido em Londrina, fotógrafo autodidata, hoje com 88 anos.
As 2 mil imagens, a serem expostas em várias salas do Solar do Barão, Memorial de Curitiba, e outros espaços culturais da cidade, abordarão temas variados - desde retratos e paisagens, até fotos de conteúdo documental, histórico e antropológico. ‘‘Embora seja internacional, a II Bienal tem como maior preocupação o enriquecimento da fotografia brasileira’’, reconhece Orlando Azevedo.
Criado para incentivar projetos de criação e pesquisa fotográfica, o primeiro ‘‘Prêmio Máximo’’ contemplou em 1996 os fotógrafos Lalo de Almeida e Manuel da Costa. Os projetos vencedores poderão ser vistos nesta segunda edição da Bienal, nas exposições ‘‘O Homem e a Terra’’ e ‘‘Luzes do Ano - Ciclo de Vida’’.
O Prêmio Máximo é uma bolsa de auxílio à pesquisa no valor mensal de R$ 2 mil, totalizando R$ 24 mil no período vigente, concedido pela Bienal para os dois melhores projetos de fotógrafos brasileiros ou radicados no Brasil. As inscrições para este ano encerram-se amanhã.

mockup