A leitura difícil de Agustina
Ela é uma mulher pequenina, roliça e de aparência frágil. Aos 75 anos, desmente o mito da mulher portuguesa sofrida. No rosto, as únicas marcas que traz são as rugas de riso, características de quem sempre esteve de bem com a vida. Engana-se, porém, quem se deixa iludir por sua aparência plácida. Por trás da doçura e simpatia, Agustina Bessa-Luís esconde uma inteligência aguda e um humor perverso.
Agustina é a presença portuguesa mais marcante desta Bienal e uma das escritoras mais respeitadas internacionalmente. Ao longo de sua carreira, já produziu mais de 50 livros - publicados - entre romances, biografias, ensaios, peças de teatro e até roteiros de cinema. Nos eventos que precedem a Exposição Mundial, que está acontecendo em Portugal, teve um de seus livros, Sibila, de 1954, incluído entre os 100 melhores livros do século.
Na Bienal, está com seu mais novo lançamento, o romance Um Cão que Sonha, de 1997. Respeitada na Europa e praticamente desconhecida por aqui, Agustina reconhece que isto se deve mais ao seu estilo que a uma falha de marketing - apesar deste também ser deficitário. Não sou uma escritora que conquista leitores facilmente. Mesmo para padrões portugueses. No Brasil, meus leitores são universitários e professores, uma massa que lê em fotocópias - alfineta.
Difícil pela própria natureza. É assim que ela se define e ao seu estilo literário. Sou uma escritora de idéias. E idéias que intervêm no meio da narrativa - diz. Seus escritos tem uma simplicidade aparente, enganosa, onde mostra toda a sua cultura, aliada a uma memória prodigiosa e um sentido de observação perfeito. Escrever requer muito mais estes sentidos desenvolvidos do que uma vasta cultura. O português gosta de ser culto, de impressionar com isto. Mas conheço grandes escritores que não o são - afirma.
Um Cão que Sonha, que Agustina está lançando no Brasil, é a história de um prêmio e uma descoberta. O título foi inspirado em uma frase de O Processo, de Kafka: o homem que vive como um cão morre como um cão e não percebe a diferença entre um homem e um cão que sonha.(T.E.)Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Agustina
Bessa-Luís:
Não sou uma
escritora
que conquista
leitores
facilmenteA escritora
portuguesa
Agustina
Bessa-Luís
é uma das
presenças
marcantes
desta Bienal





