A Lei e o Crime estreia hoje na Record
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de janeiro de 2009
Mariana Poli<br> Folhapress 
Cenas de perseguições entre polícia e bandidos, invasões de favelas, assassinatos a sangue frio e uma intensa discussão sobre a violência carioca são os motes de ''A Lei e o Crime'', seriado que estreia hoje, em clima de déjà vu, na Record. A atração será uma mistura de ''Vidas Opostas'' com ''Tropa de Elite''.
Do longa de José Padilha, a emissora traz Caio Junqueira e André Ramiro, que viveram os policiais Neto e Matias nos cinemas. Da trama ''Vidas Opostas'', sucesso de audiência em 2006, aproveita atores como Heitor Martinez (que viveu o vilão Jackson), Ângelo Paes Leme e Raquel Nunes.
Marcílio Moraes, autor do folhetim e da série, não nega um paralelo entre novela, filme e seriado, mas restringe as semelhanças ao universo temático e à escalação dos atores.
Com relação ao longa estrelado por Wagner Moura, o capitão Nascimento, o escritor faz uma crítica: ''O filme é admirável, mas vejo um grande problema nele. Ao longo da história, cria-se uma estrutura dramática para que haja uma identificação com o capitão Nascimento. Isso é complicado porque o público se identifica com a violência ilegal'', diz. ''Nascimento é um herói que mata fora da lei. Acho essa atitude tão criminosa quanto a dos bandidos, porque não leva a sociedade a melhorar'', afirma o escritor, que define a série como anti-''Tropa de Elite''.
Na TV, Moraes pretende discutir os limites entre a lei e o crime no Brasil dando voz a uma mulher, Catarina, uma socialite que decide se tornar delegada de polícia após ver o pai ser assassinado em um assalto.
Formada em Direito, ela presta um concurso e assume o lugar de um delegado que foi morto. ''Catarina não será uma justiceira. Ela não vai se colocar acima da lei. Sabe que as coisas levam um tempo para acontecer e entende isso'', diz Francisca Queiroz, que faz sua estreia como protagonista.
A personagem da atriz será a principal inimiga de Nando, o bandido de Ângelo Paes Leme, que, já no primeiro capítulo, mata o próprio sogro e se torna um dos líderes do tráfico. ''Também foi ele quem assassinou o pai de Catarina'', antecipa Paes Leme. ''Marcílio Moraes não cria personagens maniqueístas. Nando tem amor, sonhos, desejos e frustrações. Em um seriado, há mais profundidade.''
André Ramiro e Caio Junqueira vão dividir a cena novamente. Marcados pela parceria em ''Tropa de Elite'', eles avisam: para ver Neto e Matias, será preciso ir à locadora. Na TV, a história será diferente.
Para começar, os dois estarão em lados opostos. Ramiro será um traficante debochado (Tião Meleca), e Junqueira, um policial corrupto e vingativo (Romero). ''É uma outra trama, por isso eu quis viver um bandido'', afirma Ramiro. ''Embora o argumento seja a violência da polícia e dos traficantes, a série aborda com mais realidade as cenas e os conflitos que vivemos no Rio'', completa Junqueira.
Com 16 episódios, a série ''A Lei e o Crime'' está sendo gravada na favela Tavares Bastos, uma das poucas do Rio onde não há tráfico de drogas nem ocupação de milícias.
Segundo o diretor, Alexandre Avancini, as locações dão realidade ao programa. ''Não há cidade cenográfica que reproduza o que temos ali.''
Para ajudar os atores a não ficarem estereotipados, Avancini usa moradores do morro na figuração. ''Eles trazem uma percepção da realidade que nós não temos e enriquecem o trabalho'', diz, afirmando que algumas gírias foram incorporadas porque eles falam.
As gravações começaram em novembro e devem acabar entre março e abril. ''Tenho certeza de que a série vai dar muito pano para manga'', diz Ramiro.


