Quando ‘‘Oriundi’’ estrear no cinema, será revelada a vertente italiana que existe no Paraná. ‘‘O Brasil acha que Curitiba é apenas Alemanha, ninguém sabe da tradição italiana que há aqui’’, afirmou o diretor de arte do longa-metragem, Sérgio Silveira. Com 26 anos de cinema e 30 de teatro, o carioca pela primeira vez está realizando um trabalho em Curitiba.
‘‘É um pouco difícil trabalhar aqui, porque a cidade não tem tradição em cinema’’, afirmou. Entre outras produções, Silveira já assinou a direção de arte de ‘‘Quatrilho’’, ‘‘Xica da Silva’’, ‘‘Quilombo’’, ‘‘Eu Sei Que Vou Te Amar’’, ‘‘O Boto’’ e ‘‘Policarpo Quaresma’’.
Para realizar ‘‘Oriundi’’, Silveira começou a trabalhar cinco meses antes do restante da equipe. Ele escolheu 17 locações e 43 cenários diferentes para o filme. Em sua equipe de cenotécnicos, ele empregou estagiários curitibanos, estudantes dos cursos de arquitetura, desenho industrial e jornalismo.
‘‘É mais gostoso trabalhar com pessoas locais, geralmente descendentes de italianos e que têm toda a memória da cidade’’, afirmou Silveira. ‘‘Tudo o que eu preciso já está com eles’’.
Outro profissional experiente, que também está em Curitiba pela primeira vez, é o maquiador de cinema Amaro Bezerra, natural do Rio Grande do Norte. Há nove anos ele mora e trabalha em Paris. ‘‘Estou agora no Brasil especialmente para fazer Oriundi’’, informou.
Ele já maquiou milhares de atores e atrizes nacionais e internacionais, mas não deixa de se emocionar com a convivência com Anthony Quinn. ‘‘É um privilégio para todos nós estarmos trabalhando com ele’’, acredita. ‘‘Ele tem caráter, é justo e cordial e nos emociona a cada cena que grava’’, afirmou.
O maquiador também se confessou um apaixonado por Curitiba. ‘‘É uma cidade bonita e acolhedora, com uma bela arquitetura contrastante’’, elogiou. Depois de assinar a maquiagem de grandes produções nacionais desde a década de 70, como ‘‘Um Trem Para as Estrelas’’ e ‘‘Dias Melhores Virão’’, Bezerra explica a sua ida para Paris.
‘‘Após o fechamento da Embrafilme, na lastimável ‘Era Collor’, o cinema nacional morreu e muitos dos meus amigos tiveram que mudar de profissão’’, lembrou. ‘‘Eu não queria viver aquele momento, por isso decidi sair do Brasil. Hoje ele diz se sentir feliz com o ressurgimento do cinema nacional, mas ainda não sabe se voltará a viver no País. (S.M.)

mockup