Curitiba - Nos anos 50, o francês Maurice Béjard revolucionou o mundo da dança ao introduzir cenas de teatro em suas coreografias. Quase cinco décadas mais tarde, essa é ainda uma das principais características dos trabalhos do coreógrafo, aliada às transgressões que lhe são peculiares. No espetáculo ''Madre Teresa e as crianças do mundo'', Bejárd não foge à regra e reúne dança, teatro e texto para contar a história da mulher que passou a vida cuidando de pessoas pobres na Índia. O espetáculo tem única apresentação hoje, em Curitiba.
''Madre Teresa e as crianças do mundo'' tem alguns trunfos, como a bailarina carioca Márcia Haidée no papel título e ainda 20 bailarinos recém-formados pela escola de dança de Béjart e que formam a Compagnie M. Quando a montagem estreou, na Suíça, em outubro do ano passado, o coreógrafo avisou que a intenção não era reproduzir no palco a vida de Madre Teresa de Calcutá, mas traduzir os sentimentos da religiosa.
Por isso, Béjard optou por destacar a representação no espetáculo. Os bailarinos da Compagnie M, todos com idade entre 16 e 20 anos, recitam uma série de textos, com destaques para as citações de Madre Teresa ao longo de sua vida, sobre os mais variados temas.
Na turnê brasileira, Márcia está tendo oportunidade de recitar os textos na sua língua natal. A brasileira foi convidada por Béjart para viver o papel de Madre Teresa no segundo semestre do ano passado. Apesar de estar afastada do balé por conta da idade, Marcia não relutou para aceitar o convite de Béjart.
Nascida em Niterói, em abril de 1935, a bailarina é considerada uma das grandes intérpretes do século. No começo da carreira chegou a lutar contra a balança e com as técnicas do balé, antes de ser reconhecida internacionalmente. No Brasil, Márcia teve formação com Yuco Lindberg e Vaslav Vetchek. Estudou no Royal Ballet School, de Londres, e integrou a companhia do Marquês de Cuevas, além do Ballet de Stuttgard, só para citar alguns.
Além de Marcia, um outro brasileiro também integra o espetáculo. Trata-se do também carioca William Pedro, de 23 anos. O bailarino começou a carreira há 11 anos, quando saiu da favela da Rocinha para entrar na Escola de Dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O jovem conheceu Marcia Haidée no Festival de Dança de Joinville, em 1996, e esta acabou oferecendo ao garoto uma bolsa de estudos para o The Monte Carlo Ballet Scholl.
Há três anos, Pedro fez audição para o Béjart Ballet Lausanne e acaba de ser escolhido para integrar a Compagnie M, recém-criada por Béjart. ''A performance de William Pedro é um verdadeiro triunfo'', desmancha-se Béjart sobre o trabalho do jovem bailarino.
Filho do filósofo Gaston Berger, Béjart nasceu em Marselha. Estreou em Paris como bailarino e mais tarde como coreógrafo. Em 1960, formou sua própria companhia, o ''Ballet du XXe siècle'', em Bruxelas, Bélgica. Vinte e cinco anos mais tarde a companhia deslocou-se para Lausanne, na Suíça, sendo rebatizada como ''Béjart Ballet Lausanne''. Desde sua criação, a companhia desenvolve trabalhos próprios, calcados na irreverência de Béjart.
O coreógrafo decidiu montar a Compagnie M, uma espécie de braço da ''Béjart Ballet Lausanne'' para aproveitar os talentos que cursam a escola e não podem seguir carreira nela, já que companhia principal só admite dois ou três novos bailarinos por ano no seu quadro de profissionais.
A turnê brasileira da Compagnie M começou no último dia 25 e acaba no próximo sábado. Mas Béjart reserva outros planos para o Brasil. Ele aceitou o convite do governador da Paraíba, Cassio Cunha Lima, para montar um espetáculo unindo o balé e o forró, que será apresentado em junho do ano que vem, dentro da programação junina do estado.
Serviço: Compagnie M de Maurice Béjart com o espetáculo ''Madre Teresa e as crianças do mundo''. Hoje, às 21 horas, no Teatro Guaíra (grande auditório). Ingressos a R$ 50,00 (platéia); R$ 40,00 (1º balcão) e R$ 30,00 (2º balcão) para quem doar um quilo de alimento não perecível e para estudantes. Para quem não doar os alimentos os ingressos custam R$ 100,00; R$ 80,00 e R$ 60,00. Os alimentos serão doados para a Fundação Pró-Renal.

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