A irresistível vontade de superar limites
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terça-feira, 10 de maio de 2005
Cristiana Vieira<br> Agência Estado 
As corridas de aventura estão cada vez mais em alta. A sede de desafio e a oportunidade de testar os próprios limites atrai cada vez mais participantes que, para começar, embarcam nas provas mais curtas, com cinco horas de duração. Não pense que apenas gostar de esportes radicais é o suficiente. ''Se a pessoa tiver condicionamento físico fraco, não vai aguentar. Vai fazer o percurso sofrendo e terminar frustrada'', explica a personal trainer Gabriela de Carvalho, integrante da equipe Curtlo Lobo Guará.
Formar a equipe, que normalmente é mista, é o passo mais importante e, talvez, o mais difícil. O grupo tem de estar em sintonia no objetivo, nas metas, conhecer todas as modalidades e, principalmente, ter o mesmo nível de condicionamento físico. ''Tem de sair sujo da competição, se emocionar, ver o pôr-do-sol'', exagera Said Aiach Neto, de 42 anos, organizador do Ecomotion PRO, um dos eventos mais importantes do Brasil.
Sua primeira experiência em corrida de aventura foi em 1998. Neto não conhecia ninguém, se inscreveu e ficou na lista de espera. ''Não sabia exatamente o que era a corrida, muito menos o que colocar na mochila'', conta ele, que, ao longo do tempo, aprendeu a respeitar os próprios limites, conhecer muito bem o corpo e a ter alimentação regrada. ''Só isso leva um baita tempo'', diz.
Os integrantes da equipe devem estar preparados para fazer orientação, trekking, mountain bike, técnicas verticais e, em alguns casos, até praticar canoagem.
Mas não é o bastante: os competidores devem ter uma boa estratégia, determinar a melhor rota, usar equipamento adequado e saber a quantidade e o tipo de alimentação ideal para cada um. ''Corrida de aventura é como hora de vôo'', exemplifica Neto.
Outro que se especializou em corrida de aventura é o editor do site adventuremag.com.br, Wladimir Togumi, de 30 anos. Ele participou de uma competição em 2000, numa equipe montada pelo irmão. Togumi era o mais lento e deu muito trabalho por ser o único sedentário. ''Eu tive de desistir por puro despreparo'', lamenta. ''Mas, na segunda prova, consegui completar'', conta.
Com o tempo, os competidores que começaram com as provas mais leves, de 50 quilômetros e cinco horas de duração, podem partir para as medianas, em que a equipe tem de percorrer cerca de 120 quilômetros de prova com, no mínimo, 16 horas. Já as longas, famosas expedições, têm percurso de 500 quilômetros, feito normalmente entre cinco e sete dias.
A empresária Vera Lúcia Tobias Siqueira, de 35 anos, participou pela primeira vez de uma corrida em janeiro. ''Fiquei encantada com a organização, estrutura e ambiente'', conta. Ela foi influenciada pelo marido, que já está na terceira competição, e levou seus dois filhos. ''Resolvi experimentar e meus filhos também quiseram'', diz. ''Não é fácil. Requer experiência em navegação e treino'', afirma Vera, que corre e treina de bike.
A primeira participação num evento desses, não importa o porte da competição, costuma deixar lembranças muito fortes no caso de Vera, além da emoção, um tombo de bike. Mas, depois do primeiro passo, com certeza o bichinho da aventura vai te picar. Daí, não tem remédio.
De 19 a 20 de agosto, o Circuito Brasil Wild 2005 agita Poços de Caldas e Andradas (MG). E a prova mais famosa, a Ecomotion PRO, ocorre entre 29 de setembro e 9 de outubro, ainda sem lugar definido. Consulte o calendário completo no site www.adventuremag.com.br.


