'A Invenção do Brasil' retoma o tema do Descobrimeto com humor
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segunda-feira, 17 de abril de 2000
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 18 (AE) - Depois da reconstituição histórica de "A Muralha" é a vez da fantasia sobre o passado em "A Invenção do Brasil". A minissérie de Guel Arraes e Jorge Furtado, que estréia amanhã (19) na TV Globo, às 22 horas, usa a lenda de Caramuru para contar os primeiros anos após o Descobrimento do Brasil. Mas nada lembra o realismo da produção anterior, sobre a saga dos bandeirantes. Em "A Invenção", cenas do que Arraes chama de documédia (documentário + comédia) misturam-se a imagens de videogame, ao desfile da escola de samba Unidos da Tijuca deste ano, a cenas que copiam as pornochanchadas dos anos 70 e até ao clássico "O Descobrimento do Brasil", de Humberto Mauro.
"Não houve intenção de fazer um contraponto com "A Muralha", até porque nós gravamos mais ou menos no mesmo período e só aproveitamos algumas ocas dos cenários deles", contou o diretor ontem, após a exibição para a imprensa e para os atores dos três capítulos da minissérie. "Usamos personagens reais, cuja história não é muito conhecida, para falar dos primeiros anos do País, sem preocupação de reconstituir esse tempo". A equipe é a mesma que acompanha Arraes há cerca de dez anos e o tom é o de outros trabalhos deles (A Comédia da Vida Privada, Auto da Compadecida, etc.).
Débora Bloch tem o mesmo jeito descolado ao viver uma nobre francesa meio vigarista e Selton Mello, no papel de Caramuru, repete os trejeitos do Chicó de "Auto da Compadecida", enquanto Tonico Pereira e Luís Mello exploram o humor de seus personagens. Todos parecem divertir-se muito e o acabamento da produção (música de Lenine), aliado à edição criativa, deve conquistar o público. História - Só não dá para aprender História do Brasil com a minissérie, a não ser no fim, quando Marco Nanini, o narrador, resume o que ocorreu com Caramuru (Diogo Alvarez, um português já encontrado no Brasil pelos primeiros colonizadores) e Paraguaçu (a primeira índia brasileira a conhecer a Europa, onde recebeu o nome de Catarina). No mais, são absolutas licenças poéticas, como a índia que come manga (fruta que ainda não existia no Brasil naquele tempo) para falar das particularidades da língua portuguesa ou o sotaque nordestino dos personagens brasileiros, com gírias desta década.
Destaque também para os figurinos de Cao Albuquerque, com o qual Camila Pitanga e Débora Secco desfilam suas formas exuberantes, como as índias Paraguaçu e Moema. "Quisemos contar uma história inventada do Brasil, já que a oficial também já o foi antes", justifica o diretor. A minissérie, de apenas três capítulos, termina na sexta-feira.


