Françoise Chaymerac/DivulgaçãoGilberto Gawronski em ‘‘Dama da Noite’’, de Caio Fernando Abreu, direção de Gilberto Gawronski e Hélio DiasO 7º Festival de Teatro de Curitiba vem com tudo. Desde o início da semana dezenas de outdoors anunciam o evento que começa quinta-feira. Milhares de folhetos com a grade oficial de espetáculos começam a ser distribuídos. E a primeira peça a ter sua lotação esgotada foi ‘‘Diário de um Louco’’, estrelada por Diogo Vilella, com apresentações marcadas para os dias 24 e 25. Sábado da semana passada venderam-se os últimos ingressos, no posto de vendas do Shopping Mueller.
‘‘Needles and Opium’’, com Nestor Saied (dias 20 e 21 no Guairinha), ‘‘[email protected]’’, com o grupo Parlapatões (dias 21 e 22 no Teatro Fernanda Montenegro) e ‘‘A Desobediência Civil’’, com Denise Stoklos (dias 25 e 26 no Guairão) estão entre os mais cotados na procura do público.
As peças do Fringe - mostra paralela realizada em horários alternativos - começam a chamar a atenção, mas de forma ainda muito tímida, segundo Leandro Knopfholz, diretor de comunicação do festival. Ele acredita que haverá aquecimento nas vendas dentro de mais alguns dias, mesmo porque há espetáculos imperdíveis. Foram colocados 15 mil ingressos à venda.
‘‘O Fringe veio para ficar’’, afirma Knopfholz. Embora seja a novidade de 1998, a inclusão desta mostra é mais que um anexo do festival. ‘‘O que temos de maior valor é a credibilidade. Essa credibilidade é que dará força e motivação para o Fringe (‘‘franja’’ em inglês) acontecer’’, afirma. Segundo ele a programação paralela tornará o FTC ‘‘mais completo’’.
Em dez dias perto de 60 espetáculos estarão acontecendo em quase 20 locais diferentes da cidade, incluindo aí apresentações na rua e num barracão cedido pelo 20º Batalhão de Infantaria Blindada do Bacacheri. Esta variedade mostra aquilo que Leandro Knopfholz insiste em dizer há anos - espaços existem em Curitiba, basta adequá-los para ocupação.
O quadro oficial da mostra utilizará os endereços tradicionais, excetuando-se o Batalhão de Infantaria. São eles: a Ópera de Arame (inaugurada durante o primeiro festival), Guairão, Guairinha, Teatro da Reitoria, Fernanda Montenegro, Sesc da Esquina e praça pública.
Outras salas serão ocupadas pelo Fringe, como as do Teatro do Colégio Bom Jesus, o mini-auditório do Teatro Guaíra e o Lala Schneider. Também serão abertas as portas do Teatro José Maria Santos - a essas alturas ainda sem inauguração oficial - e no fosso do Teatro Guaíra acontecerá a montagem de ‘‘Um Artista da Fome’’, baseado num conto de Kafka.
Quem vai ao teatro com o intuito de ver de perto os rostos da televisão - uma prática que sempre termina em frustração, afinal o teatro envereda por caminhos diversos aos da TV -, desta vez não terá muitas escolhas.
Guilherme Leme (‘‘Decadência’’), Renato Borghi e Drica Moraes (‘‘Tio Vânia’’), Elias Andreato (‘‘Oscar Wilde’’), Denise Stoklos (‘‘A Desobediência Civil’’) estão entre os mais conhecidos. O polêmico Zé Celso Martinez Corrêa (que veio a um dos primeiros festivais com a cansativa ‘‘As Criadas’’) estrelará ‘‘Ela’’, de Jean Genet.
Os nomes mais populares serão encontrados na série de depoimentos ‘‘O Teatro no Brasil’’, que transcorre de 23 a 29 no Memorial de Curitiba. Todos os dias, às 15h, lá estarão artistas consagrados que irão falar de suas carreiras e de como vêm a atual cena teatral brasileira.
Tônia Carrero inaugura a série no dia 23. A seguir virão Ary Fontoura (24), Aracy Balabanian (25), Beatriz Segall e Paulo Betti (26), Renato Borghi (27), José Celso Martinez Corrêa (28) e se encerra com Sábato Magaldi, no dia 29.
Ainda dentro dos eventos as atrizes Louise Cardoso e Cristina Pereira farão leitura dramática de um texto de Plínio Marcos, no dia 24, no Memorial da Cidade. Dias 26 e 27 será apresentada a peça ‘‘Arte Oculta’’, com Cristina Mutarelli e Carlinhos Moreno (que não gosta de ser apontado como ‘garoto Bombril’, apesar das dezenas de comerciais que ele vem fazendo há anos sobre o produto).
Uma única manhã de autógrafos reunirá autores de livros que o público conhece como o novelista Dias Gomes, o guitarrista dos ‘‘Titãs’’ Toni Belotto, e a atriz veterana da televisão e do cinema, Lélia Abramo.

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