A história de três homens, condenados e atormentados, que convivem em um presídio sob o olhar de um guardião, será contada hoje e amanhã ao público do Filo pelo grupo cubano Teatro Jueguespacio. Às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo, quatro atores encenam ‘‘Severa Vigilância’’, versão do dramaturgo e diretor Pepe Santos para o texto ‘‘Extrema Seguridad’’, de Jean Genet.
Nessa história, um dos presos – um rapaz de 22 anos conhecido como Ojos Verdes – tem a tatuagem de uma mulher no peito, símbolo que se torna um obscuro objeto de desejo. ‘‘A partir daí se desenvolve a trama, questionando as razões de qualquer vigilância intolerante’’, explica o diretor.
Com um tratamento poético, Santos procurou falar de opressão, violência, desconfiança e liberdade, num ambiente em que homossexualidade e relações interpessoais acarretam metáforas de batalhas cotidianas. ‘‘Severa Vigilância’’ busca explicitar as barreiras enfrentadas pelos homens e o exercício arbitrário do poder. O espetáculo, que estreou em maio de 2001, discute a reclusão do homem contemporâneo e a luta pela sobrevivência. ‘‘O tema é a liberdade, a necessidade de abertura, para que o homem também tenha amplitude’’, diz Santos.
O Jueguespacio avisa ao público: ‘‘Severa Vigiância’’ é um espetáculo difícil. Austero, sombrio e tenso. ‘‘Através da metáfora teatral está se falando de maneira crítica, profunda, sobre nossa realidade’’. (J.S.)
SERVIÇO
‘‘Severa Vigilância’’ – Espetáculo de Teatro Jueguespacio, de Cuba. Texto: Jean Genet. Direção, sonoplastia, cenografia e figurino: Pepe Santos: Elenco: Alberto Osorio, Jorge León, Javier Rivero e Juán Roig. Iluminação: Tony Rocha.

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