Rubens Pileggi Sá
Especial para a Folha2
Foi lançado na semana passada o plano piloto do Festival Internacional de Londrina do ano 2000 - O Filo de todas as artes, enfocando a participação da comunidade, bem como a apresentação de outras atividades artísticas além do teatro. O evento engloba uma série de atividades com o fim de se inter-relacionarem no conjunto de suas ações, colocando em pauta o assunto mais que pertinente da interdisciplinaridade.
De fato, era idéia corrente até pouco tempo atrás, enxergar o homem separado em partes, cada uma delas território de disciplinas especializadas, sem contato, tentando compreender o Ser, cada vez mais fragmentado. O pintor voltado para suas telas, de costas para os acontecimentos. O ator recusando-se a aprender a dançar ou cantar, justificado em seu talento. O dentista, o médico, técnico em determinado processo, tomando o efeito pela causa, etc.. O que saísse fora de sua atuação profissional, era repassado ou ignorado na medida que não se ajustasse à particularidade de cada disciplina.
Essa atitude esquizofrênica, tendo por consequência o desmoronamento da tentativa de controle das atividades produtivas - vindas desde o início do capitalismo industrial- parece ter sido, ao menos em discurso, superada. E com a retroalimentação de campos diversos do conhecimento, podemos nutrir a noção de que homem e homem e homem e mundo estão sujeitos a leis indissociáveis.
As artes plásticas, por exemplo, há tempos se utilizam dos recursos do teatro, da dança, do vídeo, da música, para happenings, performances e instalações. Além disso, vários artistas trabalham com outros sentidos da percepção como o cheiro e o tato, ampliando a noção do que se considerava obra até então. E mesmo no uso de conceitos da economia, da física, do urbanismo, muitos têm se aventurado em alargar essas fronteiras anteriormente fixadas.
Não só os artistas, como intelectuais e profissionais de todos os campos reconhecem a impossibilidade de tratar de assuntos locais sem se haverem com o geral, num jogo de causa e efeito, do particular para o global, onde as funções se cruzam, inter-relacionadas.
O tema do Filo 2000 é pertinente porque se propõe ir além de uma referência pontual como evento, permitindo desdobramentos de ações coletivas e sociais que poderiam parecer deslocadas do debate das experiências artísticas.

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