Divulgação‘‘Cria’’ vem de criança, de criação, dois fatores que se fecham numa coisa sóO Ballet de Câmara de Londrina apresenta hoje e amanhã, às 21 horas, no Auditório Salvador de Ferrante, do Teatro Guaíra, em Curitiba, o espetáculo ‘‘Cria’’. Curitiba é a vigésima-sexta cidade brasileira a receber o espetáculo. Com esta temporada, o Ballet deve atingir a marca de 40 mil espectadores que já assistiram a ‘‘Cria’’.
Segundo Leonardo Ramos, diretor e coreógrafo do Ballet de Londrina, esta é a segunda vez que a companhia londrinense se apresenta na capital paranaense, em quatro anos de criação do grupo. ‘‘Parece incrível, já rodamos pelas principais capitais brasileiras várias vezes durante este tempo, mas sempre encontramos uma enorme dificuldade em nos apresentar em Curitiba’’ - lamenta.
Primeiro bailado com longa duração do grupo, com 32 minutos, ‘‘Cria’’ é dividido em duas partes: ‘‘O Forrobodó’’, com as músicas ‘‘Frevo’’ e ‘‘Forrobodó’’ de Egberto Gismonti; e ‘‘A Cria’’, com a obra ‘‘Concerto para Violino e Orquestra opus 35’’ de Tchaikovski. O espetáculo traz ainda o bailado ‘‘À Cidade’’, do espetáculo ‘‘Elogio’’. Os bailados são todos de autoria de Ramos.
‘‘Cria’’ utiliza vários recursos cênicos de outros balés, dentro do contexto da recriação e resgate a que o coreógrafo se propôs para este balé. ‘‘Cria vem de criança, de criação, dois fatores que se fecham numa coisa só. Ele explora o lado lúdico, a ingenuidade da criança ante sua própria sexualidade e sua visão do mundo antes que o peso da responsabilidade e dos tabus lhe sejam impostos pelos adultos’’ - explica Ramos.
Divulgação da cultura Em todos os locais onde foi apresentado, o espetáculo tem arrancado elogios de crítica e de público. Inclusive em São Paulo e no Rio de Janeiro. ‘‘A gente pode dizer que hoje, o Ballet de Londrina, mais que um grupo de Londrina, passou a ser a companhia de dança contemporânea do Paraná. O Balé do Teatro Guaíra é um corpo de baile, que faz diversos estilos de dança. Nós só fazemos dança contemporânea’’ - afirma.
Ramos retornou dia 12 do Festival Internacional de Buenos Aires, onde participou como bolsista da Fundação Vitae, maravilhado com o desenvolvimento do evento e com a valorização da cultura argentina. ‘‘Foi um festival multimídia, que reuniu dança, teatro, circo, cinema, artes visuais. E o que mais me impressionou foi o modo como foi conduzido. Em 10 dias, foram apresentados 25 espetáculos estrangeiros e 45 argentinos, sendo que mais de 30 só de Buenos Aires. Eles valorizam a própria cultura e utilizam o festival internacional para divulgá-la, coisa que aqui, no Brasil, não fazemos’’ - critica.
Ramos esteve também em Vitória (ES), há duas semanas, a convite da Prefeitura Municipal daquela cidade, para falar sobre a experiência londrinense com a Escola Municipal de Dança. ‘‘O Governo de Vitória vai criar uma escola de dança e quer repetir a fórmula de Londrina, a partir de nossos acertos, tentando superar os erros’’ - conta.
Mesmo com o reconhecimento e o sucesso do grupo, medido pelos inúmeros convites que tanto a companhia quando o diretor recebem, o Ballet de Londrina ainda luta com dificuldades. ‘‘Temos dois convites para participar de Festivais Internacionais de Cuba, um em dezembro e outro em março. Vamos precisar levantar R$ 13 mil para passagens aéreas, que têm que ser pagas à vista’’ - diz.
Para a temporada em Curitiba, o Ballet conta com um pequeno patrocínio da Vega-Sopave e apoio da Secretaria de Estado da Cultura, que está pagando a alimentação e hospedagem do grupo.
• Espetáculo ‘‘Cria’’ - com o Ballet de Câmara da Cidade de Londrina - Hoje e amanhã, no Auditório Salvador de Ferrante do Teatro Guaíra (Rua XV de Novembro, s/nº), em Curitiba. Ingressos a R$ 4.

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