A indústria contra-ataca
A recente multiplicação dos simpatizantes das causas piratas não aconteceu por milagre. Nos últimos meses, uma forte corrente contra o compartilhamento online ganhou força em diversos governos do mundo, levantando uma questão polêmica: existem limites para o compartilhamento através da web?
No final do ano passado, projetos de leis antipiratas como SOPA (Stop Online Piracy Act) e PiPa (Protect Intelectual Property Act) começaram a circular no Congresso Americano. Ambíguas, elas foram imediatamente repudiadas pela comunidade online, e organizações como Wikipedia, Google, Facebook, Mozilla e Greenpeace acusaram a lei de ser uma tentativa de censurar a web. ''Qualquer lei restritiva representa uma involução para a humanidade. Ninguém vai aceitar essa ditadura virtual. Sou totalmente a favor do conhecimento livre e compartilhado'', analisa o artista plástico João Fábio da Silva, que não acredita que a internet possa ser afetada por essas leis.
Mesmo com os projetos da SOPA e da PiPa engavetados desde fevereiro, outra ação realizada para conter a pirataria online aconteceu no começo do ano: o bloqueio ao site Megaupload, que teve suas atividades encerradas e seus criadores presos no começo do ano - acusados de causarem o prejuízo de mais de U$ 500 milhões na indústria de entretenimento americana.
Temendo ser fechado em seguida, o mais famoso site de compartilhamento do mundo, o PirateBay.org, mudou seus servidores para a Suíça e hoje se aproveita de lacunas legais para continuar funcionando. Um novo projeto americano, chamado CISPA (Cyber Intelligence Sharing and Protection Act) também pode afetar, no futuro próximo, o compartilhamento de arquivos através da internet.
A chamada ''Guerra do Copyright'' aumenta a cada dia a discussão entre duas vertentes intelectuais: de um lado, está quem acredita que a internet - assim como o mundo real - deve ser regida por leis e regras específicas; de outro, estão aqueles que veem na tecnologia uma ponte para um 'oásis' cultural, livre e colaborativo. Quem está certo? Só o tempo dirá. (R.C.)





