DivulgaçãoAdriana Esteves: outro papel romântico em horário nobreUma cidadezinha do interior, um amor proibido e um forasteiro que chega para acertar contas do passado não podem faltar nas novelas de Aguinaldo Silva. Foi assim em ‘‘Roque Santeiro’’, ‘‘Tieta’’, ‘‘Pedra sobre Pedra’’, ‘‘Fera Ferida’’. Agora a história se repete em ‘‘A Indomada’’, novela que estréia amanhã, com um certo ar déjà-vu, às 20h30, substituindo ‘‘O Rei do Gado’’, na Rede Globo. Preferindo apostar no certo - ou no universo do Aguinaldo Silva, como a Globo se refere às coincidências temáticas - a emissora não pretende se arriscar a perder nenhum ponto da cobiçada audiência do horário nobre.
À frente do elenco e pós-graduada no papel de sofredora, Adriana Esteves volta à Globo por cima da carne seca, depois de uma passagem pouco relevante no SBT. Na história, ambientada na cidade fictícia de Greenville, Adriana interpreta, na primeira fase, a lacrimogênea Eulália de Mendonça e Albuquerque.
Filha de uma família poderosa da região, a moça tem um romance com um
pé-rapado, o cortador de cana Zé Leandro - personagem de Carlos Alberto Ricelli - de quem engravida. Só mudam os nomes, já que Linda Inês e Raimundo Flamel, em ‘‘Fera Ferida’’ e Leonardo Pontes e Marina Batista, em ‘‘Pedra sobre Pedra’’, viveram histórias bem semelhantes.
A diferença é a gravidez inesperada. Mas, antes mesmo que Zé Leandro descubra que a amada está grávida, tem de fugir. Ao descobrir o affair de sua irmã com Zé, Pedro Afonso, vivido pelo veterano Cláudio Marzo, ameaça o rapaz de morte. Zé foge prometendo voltar para buscar a amada. Tudo acontece ainda no primeiro capítulo. Treze anos depois, Zé cumpre a promessa. Mas o resgate não dá certo e, na fuga, Zé morre. Pouco depois, Eulália tem o mesmo destino. Sobra para Helena a revolta do tio e de sua mulher, a mesquinha Altiva, de Eva Wilma.
Anti-heróiA estranha personalidade de Raimundo Flamel, personagem de Edson Celulari em ‘‘Fera Ferida’’, desta vez está representada por José Mayer com o seu misterioso Teobaldo Faruk - um misto de herói e anti-herói. ‘‘Ele é um personagem dúbio’’, diz José Mayer. Teobaldo surge no segundo capítulo, com direito a uma aparição cinematográfica. Em meio a uma tempestade de areia, aparece montado num cavalo, com um xale escondendo o rosto.
Teobaldo vai se apaixonar por Eulália, mas não será correspondido. Depois da morte da pretendente, acaba fazendo um pacto com Helena. A moça se vê obrigada a aceitar o acordo, já que sua família perde todos os bens, no jogo, para Teobaldo e por isso vive de favores. Ela parte para estudar na Inglaterra, mas com data certa para voltar e se casar com o desconhecido.
Mas nem tudo será tristeza em Greenville. A Casa de Campo - algo como a Casa da Luz Vermelha, de ‘‘Tieta’’ - existe para garantir a diversão masculina. Sob o comando de Zenilda - papel de Renata Sorrah -, as moças estão encarregadas de conversar, dançar, e tudo o mais que garanta o prazer da freguesia.
Pura diversãoProporcionar diversão ao público é tudo que os autores querem. O co-autor Ricardo Linhares, que assina a novela ao lado de Aguinaldo Silva, está adorando o fato do público ver semelhanças entre ‘‘A Indomada’’ e os trabalhos anteriores da dupla. ‘‘Acho ótimo que reconheçam o nosso universo, porque cada vez mais a gente volta a ele’’, admite Ricardo. ‘‘Gosto de escrever novelas deste gênero’’, completa Aguinaldo, deixando claro que não pretende mudar o estilo.
Até a produção aproveita para brincar com o assunto. No primeiro capítulo de ‘‘A Indomada’’, na estrada que leva a Greenville, aparecem placas com os nomes Tubiacanga e Serro Azul, cidades em que se passava ‘‘Fera Ferida’’.
Na cartilha dos autores, não se mexe em time que dá audiência. Em meio ao realismo fantástico característico da sua obra, entram em campo o misterioso Cadeirudo, que ataca as mulheres à noite, e a fogosa Scarlet, vivida por Luiza Thomé, que em noites de lua cheia sente vontade de sair uivando nua pelas ruas. Há ainda um personagem que cai num buraco de uma obra e não sai mais.
Em Greenville, tudo pode acontecer. Colonizada por ingleses, os moradores acabaram adquirindo uma pronúncia um tanto esquisita, que mistura inglês com o sotaque nordestino, o que resultou num nordestês. A começar pelo nome da cidade que, ao ser proferido pelos habitantes, passa a se chamar Gréinvile.
A fim de garantir a qualidade, pelo menos no começo, o diretor Paulo Ubiratan está cuidando de tudo pessoalmente. Até agora, 30 capítulos já estão escritos e 18 gravados. Ubiratan sabe que para fazer sucesso terá de sacudir o tédio do público, sonado pelo monótono desfile de bovinos em ‘‘O Rei do Gado’’. ‘‘Novela é um tiro no escuro’’, testemunha Ricardo Linhares, sem querer se comprometer.

mockup