Namastê!. A saudação indiana que significa o ''deus que está em mim saúda o deus que está em você'' é a primeira lição que se aprende ao se chegar na Índia. Dita com as mãos unidas, como se estivesse em oração, é a palavra que se usa na introdução a qualquer conversa. Não se sabe ao certo a sua origem, mas diz uma lenda que a saudação foi criada para se evitar o contato entre as mãos das pessoas no ato de cumprimentar previnindo o desperdício de energia. Cheia de mistérios, lendas, símbolos e rituais a Índia é um convite para sair de si mesmo, abrir mão dos conceitos ocidentalizados e mergulhar em uma cultura de cinco mil anos de história e seus milhões de deuses. E se no Brasil, temos a Bahia de Todos os Santos, na Índia temos o país dos ''milhares de deuses''.
No país de mais de um bilhão de pessoas onde o que predomina é a religião hindu, praticamente 90% da população, o deus mais popular é o ''Lord Ganesh''. Com cabeça de elefante e corpo humano, ele está fortemente arraigado à cultura indiana e nas casas é comum encontrar templos especialmente decorados para ele. Flores, incensos e mantras fazem parte das reverências prestadas ao Ganesh, considerado o protetor dos negócios e o que atrai sorte. Os pequenos altares residencias também podem ter fotos de gurus, que são homenageados com cânticos e orações. Em uma família indiana típica, não se inicia o dia sem que alguém da família tenha feito as orações matinais, normalmente isso fica a cargo da avó, que é muito respeitada na família. Aliás, o respeito pelos mais velhos é uma das coisas que mais impressionam na cultura indiana.
Desde cedo, as crianças aprendem a reverenciá-los como seres repletos de sabedoria e conhecimento. Também fazem uma saudação em que se inclinam, tocam os pés dos avós, e depois o próprio coração e a cabeça, simbolizando nesse gesto de humildade que a sabedoria deles preencha o seu coração e a sua mente. Nas escolas, também chama a atenção o respeito que os professores recebem e não importa se a escola é pública ou particular, ou muito menos universidade. Disciplina e respeito são a base da educação.
Os muçulmanos também formam uma parcela significativa da religião. Em cidades menores, é comum as mesquitas terem alto-falantes que retransmitem as orações que fazem em diversos momentos do dia. Em alguns grupos mais ortodoxos, é comum encontrar pelas ruas, até mesmo das grandes cidades, mulheres usando burca roupa negra que o corpo inteiro com uma parte do tecido perfurada para poder enxergar. Os cristãos compõem um grupo mínimo na Índia, mas já há programas locais de evangelização através da televisão católicos e evangélicos semelhantes aos existentes no Brasil. Há uma certa curiosidade sobre o cristianismo e em alguns momentos as pessoas fazem algum tipo de confusão entre as figuras de Jesus Cristo e Papai-Noel quando perguntam sobre a importância do Natal. Aí, era inevitável explicar que o consumismo do norte-americano ''Santa Claus'' não tem nada a ver com a base do cristianismo.
A hospitalidade indiana também impressiona. Os estrangeiros são tratados como se fossem deuses e não é raro o indiano ceder a própria cama para que o visitante tenha o máximo de conforto. Nas casas, os rituais de boas vindas incluem bindi (que é uma marca vermelha ou alaranjada) na testa, turbante, no caso dos homens, grãos de arroz na cabeça e guirlandas de flores. Tudo para dizer que o estrangeiro é especial e bem-vindo. No início, é um pouco constrangedor receber tantas honrarias, mas depois fica a sensação de um respeito imenso por essas pessoas e o desejo de retribuir o carinho na mesma proporção.
A jornalista viajou para a Índia integrando um Grupo de Intercâmbio de Estudos programa promovido pelo Rotary Internacional. Apoio: Foto Célula Digital.

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