Com uma proposta inovadora, a montagem cômica ''Ninguém mais vai ser bonzinho'', do grupo Os Inclusos e os Sisos, do Rio de Janeiro, trouxe algumas novidades ao Teatro Vila Rica, na semana passada. Além de abordar a questão da inclusão dos deficientes, tendo no elenco uma personagem com Síndrome de Down que luta pela sua autonomia com humor e perspicácia, disponibilizou uma série de recursos para atender deficientes auditivos e visuais. Programa em braile, intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras), legendagem computadorizada - para os surdos que preferem a leitura à interpretação de Libras - e audiodescrição fizeram parte das novidades.
A questão da falta de acessibilidade - agora no âmbito arquitetônico - era visível já na entrada do teatro: as escadas pareciam desprezar a existência de pessoas que usam cadeira de rodas, muletas, bengalas ou mesmo idosos com dificuldade de locomoção.
O vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Conade), Isaías Dias, de São Paulo, que possui uma deficiência física como sequela de poliomielite, considerou correta a proposta do grupo. ''A acessibilidade não está relacionada apenas ao meio físico, arquitetônico. É preciso explorar outras formas de comunicação para que as pessoas com deficiência participem normalmente das atividades culturais da sua comunidade. Não quero nada de graça por ser deficiente. Quero pagar e ter o direito de entrar por qualquer porta sem ter que ser carregado'', pontuou Dias.
''Melhorar o acesso do deficiente é uma ferramenta de cidadania. Não queremos guetos nem privilégios e sim direitos reconhecidos'', acrescentou Solange Maria Ferreira, vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CMDPD) e também uma ''sobrevivente da pólio''.
Logo na entrada do teatro o deficiente visual Flávio Cordeiro da Silva recebeu o receptor de audiodescrição simultânea e estava ansioso por conhecer a novidade. Sebastião Narciso, também com deficiência visual e mais conhecido como o contador de histórias Tião Balalão, destacou a importância desses recursos. ''São adequações necessárias para igualizar o acesso do deficiente. É uma conquista almejada há muito tempo e deve ser difundida também como responsabilidade social.''
No final, Silva aprovou o recurso da audiodescrição. ''É interessante. Enche os espaços em branco e contribuiu para a minha imaginação e um melhor entendimento da peça.'' (A.P.N.)

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