A impossível Madonna
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quarta-feira, 05 de junho de 2002
Carlos del Amo<br>Agência Efe 
Madri - Uma mulher atrevida, convencida, irritável e exagerada, assim J. Randy Taraborrelli define a Madonna da década de 80 em uma biografia não autorizada, que revela os pormenores da vida de um dos ícones musicais do final do século XX e início do XXI.
Tudo o que é hoje, conquistou à força, afirma.
Randy Taraborrelli, biógrafo também de Michael Jackson e Frank Sinatra, conheceu Madonna Louise Veronica Ciccione em uma entrevista coletiva em 1983, quando estava disposta a não fingir para os meios de comunicação e se mostrava tal como era, sem vacilar.
Quando Taraborrelli retomou em 1994 a personagem para escrever este livro, Madonna já tinha estabelecido as prioridades de sua vida: sua carreira acima de tudo. Até que, uma vez satisfeita com sua trajetória, concentrou-se em seus filhos, Lourdes e Rocco.
O livro começa com a visita que Madonna, escondida na parte de trás de um carro, fez ao presidente argentino Carlos Menem, para que autorizasse a filmagem de Evita na Argentina. Foram algumas horas, mas a negativa generalizada do país ao filme durou apenas alguns dias mais depois do encontro.
Nascida em Michigan, em 16 de agosto de 1958, Madonna, embora seja metade canadense de língua francesa, sempre se identificou mais com sua herança italiana.
Nascida em uma família restrita e conservadora à moda antiga, como ela mesma definiu, desde menina esteve sempre muito ligada à sua mãe. Quando ela morreu, então teve início seu ódio pela figura paterna, e depois do segundo casamento de seu pai nasceu o ressentimento contra a igreja católica.
Taraborrelli conta também como Madonna perdeu a virgindade aos 17 anos com um companheiro do instituto, Russell Long, que relata no livro todos os pormenores, embora seja ela que, anos mais tarde, tenha confessado que não perdeu sua virgindade até que me dei conta do que fazia.
Seu professor de dança foi também seu primeiro amigo homossexual e que tambem abriu seus olhos para os aspectos mais provocantes da vida noturna. Descobriu na dança uma forma de conquista e teatralidade. Mais tarde, iria se transformar em um ícone do mundo gay. Christopher foi meu mentor, meu pai, meu amante, meu irmão, tudo, porque ele me compreendia, declarou depois de sua morte.
A transformação de Maria Louise em Madonna começou quando se matriculou na Universidade de Michigan. Tomava conta do lugar quando chegava, disse sua companheira de quarto Whitley Setrakian, e os que bem conhecem a cantora garantem que naquela época de pobreza e de furto em lojas, quando cortou o cabelo e rasgou as meias para parecer diferente, já tinha decidido ser famosa.
Trocou a Universidade pela dança e se mudou para Nova York, com a desaprovação de seu pai. Se deixar a Universidade, deixará de ser minha filha, disse a ela, e Madonna respondeu: Muito bem, mas quando eu ficar famosa voltarei a ser sua filha.
Chegou a Nova York com 35 dólares, coincidindo com a estréia do musical Evita. Mais tarde, confessou que foi vítima de estupro durante esse período. Trabalhou onde pôde, até que assinou com as companhias Pearl Lang e Alvin Ailey, mas teve que ampliar os horizontes para viver na Big Apple e começou a posar nua para pintores e fotógrafos, que publicaram as fotos quando se transformou em estrela.
Conheceu o pintor Norris Burroughs, que a apresentou a Dan e Ed Gilroy, com os quais aprendeu a tocar violão e órgão. Foi com eles que teve a idéia de cantar, e em 1979 viajou para Paris com os produtores Jean Valoo e Jean-Claude Pallerin, que tentaram transformá-la em Donna Summer, apesar de seus protestos. Ao retornar, apresentou-se nos musicais Footloose e Fama e participou de um filme de baixo orçamento, A Certain Sacrifice, de Lewicki, mais tarde vendido por milhões.
No início da década de oitenta, Madonna voltou com seu namorado Steve Bray -com quem mais tarde iria compor sucessos como Express yourself e True blue- para formar o grupo Emmy, conhecido depois como The Millionaires, embora preferisse o nome Madonna.
Antes de ser famosa, Madonna fazia covers nas ruas, mas quando começaram a tocar sua música Everybody em uma das discotecas mais conhecidas de Manhattan ela assinou com a Warner, e em 1983 surgiu Madonna, seu primeiro álbum.
Se a canção Everybody mudou sua vida, o álbum Like a Virgin (1984) a transformou em uma estrela do pop, e desde então tudo o que fazia ou dizia começou a ser de interesse público.
Conheceu Sean Penn nos sets de gravação do clip de Material Girl, se apaixonaram, se casaram - embora tivesse um caso com Prince - e se separaram três anos depois devido ao temperamento violento do ator. Depois, viveu uma aventura com John Kennedy Jr. e um romance com Warren Beatty, com quem fez Dick Tracy. O apelo sedutor levou a cantora a filmar Na cama com Madonna e também gravou Erótica.
Depois vieram o nascimento de sua filha Lourdes, seu auto-redescobrimento na década de 90 com Ray of light, o filme Evita, seu casamento com Guy Ritchie e o nascimento de seu filho Rocco.


