A IMPOSSIBILIDADE DO SEXO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de junho de 2000
Celso Mattos De Londrina 
O último trabalho do mestre Stanley Kubrick, De Olhos Bem Fechados deixou muitos fãs do cineasta decepcionados. Eles não conseguiram engolir que o diretor de obras como Laranja Mecânica e 2001 Uma Odisséia no Espaço pudesse se despedir do cinema com um filme tão pouco espetacular e tão anticlimático.
Assim como Laranja Mecânica fala do absurdo da violência, De Olhos Bem Fechados fala do absurdo da repressão. O filme trata da crise de um casamento e retrata a impossibilidade do sexo. É como se Kubrick dissesse que o sexo entre um homem e uma mulher neste fim de século tornou-se tão complicado quanto o sexo entre um homem e uma menina na América dos anos 60, quando fez Lolita. Desta forma, o título original Eyes Wide Shut, algo como olhos arregaladamente fechados traduz perfeitamente uma sociedade que está sempre de olhos abertos, mas que se recusa a enxegar.
O roteiro do romancista Frederic Raphael é inspirado no livro Traumnovell, do austríaco Arthur Schnitzler. A ação foi transposta da Viena do século 19 para a Nova York contemporânea. Tom Cruise interpreta o médico Bill Harford, casado com Alice (Nicole Kidman). Em uma festa, os dois flertam com pessoas diferentes e a tensão resultante, leva Alice a confessar ao marido uma das cenas mais intrigantes do filme que teve fantasias sexuais com outro homem.
Perturbado com a revelação da mulher, Bill passa a rondar pela cidade, tentando confortar suas próprias frustrações. A busca o leva a uma orgia cheia de mascarados na qual descobre que sua vida corre perigo. De Olhos Bem Fechados, apesar de suas falhas é um filme para ser visto várias vezes tamanha a sua riqueza de detalhes. O maior problema está na edição que parece ter sido feita às pressas. Muitas cenas poderiam ter sido cortadas, deixando o filme mais enxuto. A trilha sonora é impactante e a fotografia é primorosa. Uma obra bizarra, irônica, virtuosística e sutil. Duração: 159 minutos


