O último trabalho do mestre Stanley Kubrick, ‘‘De Olhos Bem Fechados’’ deixou muitos fãs do cineasta decepcionados. Eles não conseguiram engolir que o diretor de obras como ‘‘Laranja Mecânica’’ e ‘‘2001 – Uma Odisséia no Espaço’’ pudesse se despedir do cinema com um filme tão pouco espetacular e tão anticlimático.
Assim como ‘‘Laranja Mecânica’’ fala do absurdo da violência, ‘‘De Olhos Bem Fechados’’ fala do absurdo da repressão. O filme trata da crise de um casamento e retrata a impossibilidade do sexo. É como se Kubrick dissesse que o sexo entre um homem e uma mulher neste fim de século tornou-se tão complicado quanto o sexo entre um homem e uma menina na América dos anos 60, quando fez ‘‘Lolita’’. Desta forma, o título original ‘‘Eyes Wide Shut’’, algo como ‘‘olhos arregaladamente fechados’’ traduz perfeitamente uma sociedade que está sempre de olhos abertos, mas que se recusa a enxegar.
O roteiro do romancista Frederic Raphael é inspirado no livro ‘‘Traumnovell’’, do austríaco Arthur Schnitzler. A ação foi transposta da Viena do século 19 para a Nova York contemporânea. Tom Cruise interpreta o médico Bill Harford, casado com Alice (Nicole Kidman). Em uma festa, os dois flertam com pessoas diferentes e a tensão resultante, leva Alice a confessar ao marido – uma das cenas mais intrigantes do filme – que teve fantasias sexuais com outro homem.
Perturbado com a revelação da mulher, Bill passa a rondar pela cidade, tentando confortar suas próprias frustrações. A busca o leva a uma orgia cheia de mascarados na qual descobre que sua vida corre perigo. ‘‘De Olhos Bem Fechados’’, apesar de suas falhas é um filme para ser visto várias vezes tamanha a sua riqueza de detalhes. O maior problema está na edição que parece ter sido feita às pressas. Muitas cenas poderiam ter sido cortadas, deixando o filme mais enxuto. A trilha sonora é impactante e a fotografia é primorosa. Uma obra bizarra, irônica, virtuosística e sutil. Duração: 159 minutos

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