Uma vez por semana, durante duas horas, os alunos do Ateliê Mariana Benutti têm a oportunidade de "mergulhar" no mundo da arte e colocar em prática uma série de linguagens artísticas. Pinturas, desenhos, esculturas, colagens, entre outras atividades, tudo integra esse universo instigante e criativo. Em turmas com até seis participantes, a cada semana os alunos têm uma proposta diferente de aprendizado e tudo que é produzido por lá eles levam para casa. "Temos um enfoque bastante prático e procuramos fugir do excesso de conteúdo que as escolas muitas vezes precisam trabalhar. Aqui a prática é maior que a teoria e eles adoram", explica a artista plástica Mariana Benutti, responsável pelas aulas juntamente com a psicopedagoga Aline Martinelli.
Aliás, a opção de associar arte à pedagogia é um outro diferencial do trabalho, que assim valoriza os aspectos de desenvolvimento cognitivo de cada fase da criança. "Fazemos o planejamento juntas e essa parceria enriquece o trabalho, deixa-o mais completo", comenta Mariana. "É muito interessante observar o quanto a arte contribui para o desenvolvimento da criança e envolve outros aspectos, como a capacidade de desenvolver a paciência, o senso de organização, planejamento e a importância do trabalho em grupo, já que eles precisam aprender a dividir os materiais", salienta Aline.
E nas aulas, os alunos demonstram um grande prazer em participar das atividades realizadas em salas amplas, bem iluminadas e repletas de materiais de arte. Na aula que a equipe da FOLHA acompanhou, em que os alunos estavam aprendendo a fazer uma releitura de algumas obras do pintor holandês modernista Piet Mondrian (1872-1944) para a pintura da caneca para o Dia dos Pais, o som do jazz – música preferida do pintor em evidência – embalava o clima criativo enquanto as ideias iam surgindo espontaneamente.
"A gente procura orientar os alunos para que não fiquem muito 'soltos' e acabem perdidos, mas tudo é feito para que tenham o máximo de espaço para que eles possam criar, colocar em prática suas ideias", afirma Mariana.
Com desenhos que valorizam as cores primárias e as figuras geométricas, infinitas variações foram sendo elaboradas pelos alunos no pré-projeto do desenho feito com recortes de papel colorido antes de serem transpostos com tinta para a caneca de cerâmica. "A capacidade de se adaptar, se transformar, é outro aspecto bastante evidente do trabalho. A cada momento é preciso lidar com a questão da frustração, de como fazer quando as coisas não saem como o planejado e esse exercício acaba preparando os alunos para outros desafios que fazem parte da vida", destacam Mariana e Aline.
O aluno Thales Gushi Neto, 9 anos, há quatro anos faz aulas no ateliê e conta que é um dos cursos de que mais gosta. "Sempre gostei de desenhar e aqui pude aprender um monte de coisas, inclusive a desenhar mangás", diz.
Já a aluna Fernanda Sater Consalter, 6 anos, afirma que as aulas de arte a deixam "mais feliz". "É muito gostoso e eu sempre quis aprender a pintar, desenhar e mexer com argila. Adorei quando fiz um quadro com pétalas claras e escuras", lembra. O ateliê todo ano realiza um exposição temática com os trabalhos dos alunos. (A.P.N.)

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