Resgatar a própria história e estimular a revalorização da escola pública estão entre os objetivos da preparação da Semana Cultural do Colégio Estadual Hugo Simas, que acontece de 21 a 25 de maio como parte das comemorações pelo aniversário de 70 anos da instituição. A data comemorativa oficial é 14 de julho, quando foi fundada, tornando-se o primeiro colégio estadual de Londrina. O evento será aberto à comunidade.
Divididos em sete equipes com alunos dos ensinos Fundamental e Médio - cada uma fazendo referência à uma árvore típica da nossa região (ipê, peroba rosa, aroeira, araucária, figueira, imbuia e cedro) -, os grupos estão se dedicando a fazer pesquisas referentes às décadas que marcaram a história do colégio de 1937 a 2007.
As atividades envolvem esporte, linha do tempo (onde os alunos terão que montar um painel sobre a década respectiva pesquisada), pintura no muro externo do colégio com referências à história da escola e um varal de poesias produzidas pelos alunos, que poderão ser publicadas em um livro caso o colégio consiga patrocínio. Desfiles com roupas de época e apresentações de dança com os ritmos que marcaram os últimos 70 anos também fazem parte da programação.
No último dia da Semana Cultural, no dia 25 de maio, uma animada gincana irá marcar o encerramento da programação. Cada grupo terá como desafio realizar as seguintes tarefas: localizar o aluno e o professor mais antigos do colégio, personagens (como escritores, políticos, profissionais liberais) que já tenham estudado na instituição, uma foto particular (do dono da fotografia no colégio), mostrar curiosidades (contar fatos reais e inusitados que já tenham acontecido no colégio) e apresentar números artísticos dos professores. A realização das tarefas irá fazer parte da avaliação do bimestre.
Praticamente aprendizes de 'Sherlock Holmes', os estudantes estão empolgados com a pesquisa e estão ficando cada vez mais frequentes as visitas ao ''arquivo morto'' do colégio, uma espécie de sala-porão onde estão guardados os arquivos antigos com álbuns de formatura, históricos e avaliações de muita gente que já passou por lá. Nem o pó e os ácaros de décadas impedem a realização do trabalho, que está se tornando uma divertida volta ao passado.
Uma das descobertas que será apresentada na gincana é a história de um ex-aluno do colégio, Jorge Donizete Moraes, que fez supletivo na instituição e hoje dá um exemplo de solidariedade ao dedicar parte do que recebe pelo seu trabalho como catador de papel para distribuir enxovais para mães carentes. ''Não queremos que os alunos se preocupem em apenas conhecer e valorizar a história dos nossos ex-alunos que se tornaram pessoas renomadas, como alguns políticos e médicos. É importante que também reconheçam o valor das pessoas comuns que também estão prestando serviço à comunidade'', destacou a diretora auxiliar Ubiracy Lobo Moreira Silva.
Sobre os fatos inusitados que já aconteceram no colégio - uma das tarefas que os alunos terão que cumprir como parte da gincana -, Ubiracy não recordou de nenhuma curiosidade no momento da entrevista e brincou que, diferentemente do Colégio Estadual Vicente Rijo - famoso pela história da aparição do espírito da ''loira do banheiro'' -, o Hugo Simas nunca teve ''fantasmas''. ''Vamos ter que criar um, quem sabe o do próprio Hugo Simas, que foi um desembargador de Paranaguá...'', brincou.
Brincadeiras à parte, na sua opinião, a semana dedicada a atividades culturais relacionadas aos 70 anos do colégio é uma maneira criativa de haver uma aproximação extra-classe envolvendo comunidade, pais, alunos e professores. ''A partir da hora em que o aluno aprende a resgatar a história da escola, passa a valorizar até a família, principalmente os idosos. Percebem que todo mundo, todos os lugares têm uma história, que se torna o próprio alicerce'', acrescentou Ubiracy.
Na sala do diretor geral Fernando Munhoz Neri, três alunas da Equipe Imbuia se encantavam com os álbuns antigos de formatura, observando o visual e a beleza das fotografias em branco-e-preto de décadas passadas. ''Estamos ainda no começo da nossa pesquisa, acho que já fizemos apenas 5% do que precisamos, mas o nosso trabalho vai ficar legal. É muito interessante ver a quantidade de pessoas que já passaram pelo mesmo lugar onde estudamos e imaginar como elas eram'', comentou a aluna Laís Fernanda de Oliveira, 13 anos, acompanhada das amigas Kathiany da Rocha, também de 13, e Letícia Lopes dos Santos, 12.
Neri ressaltou que a história, a memória do colégio estavam ''meio apagadas'' e que a Semana Cultural foi uma forma de fazer com que isso fosse reavivado. ''Acho que a prefeitura e o Museu Histórico têm mais informações da nossa história do que a própria instituição'', disse.
A oportunidade de trazer a comunidade para dentro da escola também foi apontada como uma vantagem importante da atividade. ''Infelizmente, poucos pais participam da vida escolar do filho e esse tipo de ação provoca uma interação maior. E daqui a alguns dias o colégio irá passar por uma grande transformação devido à euforia dos alunos pela proximidade do evento'', concluiu.

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