Rio - Logo na entrada, soldados franceses marcham sobre um mapa da Europa. Vão em direção a Portugal. A movimentação das tropas lembra as guerras napoleônicas e é o ponto de partida da mostra ‘‘Um Novo Mundo, Um Novo Império: A Corte Portuguesa no Brasil’’, patrocinada pela Fundação Calouste Gulbenkian. A mais esperada exposição sobre a família real foi aberta no dia 8 de março e segue até 8 de junho, no Museu Histórico Nacional.
  Os soldados, feitos em computação gráfica, são de tamanho natural. No fim, uma estátua de d. Pedro I, feita pelo escultor Bernardelli, ‘‘diz’’ a célebre frase: ‘‘Independência ou Morte’’. Mas o mérito da exposição não está nos efeitos especiais, e sim em preciosidades como os documentos que revelam o processo da abertura dos portos às nações amigas, marco do desenvolvimento do comércio.
  Há ainda a Carta dos 25, enviada a d. João VI pelos mais importantes senhores de Portugal, que exigiam o regresso da corte. ‘‘Será a maior exposição e a única a tratar de aspectos políticos, sociais e culturais do período joanino’’, afirma a diretora do museu, Vera Tostes.
  A mostra terá também curiosidades como o trono acústico, usado por d. João VI em audiências. Os braços terminavam numa boca de leão. O súdito se ajoelhava e acabava sendo obrigado a falar junto à boca. O som saía perto do ouvido de d. João. ‘‘Ele ficou conhecido por sua imagem aérea, distante. Ficou uma coisa caricatural. Mas talvez ele apenas fosse surdo’’, sugere Vera.
Só para herdeiros
  Outra peça interessante é uma carruagem, que chegou ao Brasil toda pintada de preto, com desenhos fúnebres em dourado, doada por uma funerária de Lisboa em 1948. Em 2004, durante trabalho de restauração, Vera, especialista em heráldica, percebeu que havia o brasão de Portugal e o banco de pinchar, símbolo que apenas o príncipe herdeiro pode ostentar. Ou seja, a carruagem havia sido usada por d. José, herdeiro do trono português, que morreu de varíola, e por d. João, após a morte do irmão. Hoje, a carruagem exposta ainda preserva um lado em preto, com os desenhos fúnebres. (C.T./Agência Estado)

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