Pegar um papel, dobrar, cortar aqui e ali, abrir e ter um elefante prontinho, com olhos, as grandes orelhas, tromba e rabo, e que para em pé. Parece mágica, mas é uma técnica japonesa chamada kirigami. O kirigami é tão simples que sua essência pode ser ensinada em apenas uma tarde. E é o que o artista plástico Angelo Cesar Meneghetti vem fazendo desde segunda-feira no Museu de Arte de Londrina, por meio de oficinas.
Os minicursos, direcionados a crianças e adolescentes de 6 a 15 anos (mas abertos à participação de qualquer um havendo disponibilidade de vagas) acontecem até sexta-feira, das 14h30 às 16h30. Haverá uma turma nova a cada dia, com até 15 alunos. Como Meneghetti fornece todo o material necessário, é cobrada apenas uma taxa de R$ 10 por participante. As inscrições podem ser feitas no local.
''O kirigami trabalha, de forma lúdica, o raciocínio, a simetria, dimensões, formas geométricas, proporção, multiplicação e até o teorema de Pitágoras. Também é uma forma de satisfação pessoal, que faz muito bem para a auto-estima'', enfatiza o artista plástico, que desde 2006 tem estimulado a imaginação das crianças com oficinas no museu. ''Depois de aprender, nunca mais você vai olhar para o papel e enxergar apenas uma folha em branco, e sim o infinito de possibilidades que o papel permite'', garante.
Embora tenha chegado até a oficina por acaso, na segunda-feira, a professora Cristiane dos Santos conhece Meneghetti há tempos, e seu filho Emanuel, 8 anos, cresceu moldando sua imaginação com papel e tesoura. ''Tinha trazido meu filho para visitar o museu e por coincidência estava tendo a oficina. E ele adora fazer esses 'brinquedos de papel', que é como chama o kirigami. Tem uma caixa cheia deles em casa'', revelou Cristina, que só vê vantagens nessa técnica. ''Trabalha a coordenação motora fina, a criatividade, a sensibilidade, a imaginação'', enumera, acrescentando que o filho depois brinca com as próprias criações.
''Enchi a sacola de 'hominho' de papel e minha mãe e minha avó jogaram no lixo. Tive que começar de novo'', delatou o garoto, enquanto suas mãos ágeis rapidamente recortavam um elefante. ''Fiz um dinossauro, coelho, pássaro, gato, cachorro e inventei um porquinho'', revelou, sem largar a tesoura.
A dona de casa Ana Rita de Souza, 51 anos, viu os animais tridimensionais confeccionados apenas com papel e não se arriscou a aprender. ''Achei que seria difícil pra mim, crianças têm mais agilidade'', confessou, para em seguida elogiar a desenvoltura da filha, Victória Carolina, 10 anos. ''Não é muito difícil, valeu a pena ter vindo. Lá em casa vou tentar fazer um poodle. E quero voltar aqui pra aprender outras coisas'', planeja a garota.
Mas Leandro Toledo do Amaral, 22 anos, que auxilia Meneghetti nas oficinas, mostra que não há idade certa para aprender kirigami. ''Uma vez a diretora do colegial me viu fazendo kirigami, gostou e chamou o Ângelo para explicar no colégio. Vários professores também se interessaram. Fiquei alegre em ver que com um simples papel foi possível fazer essa revolução toda''.

mockup