''A Hora Mágica''
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de maio de 1999
Francelino França 
A Hora Mágica, o quinto longa-metragem do cineasta paulista Guilherme de Almeida Prado, faz sua estréia hoje em Londrina, no Cine Catuaí 2, às 13h15. O filme, lançado em janeiro em São Paulo, pode ser considerado uma envolvente reverência ao cinema, ao rádio e ao imaginário popular. A trama é ambientada na fictícia Rádio Brasil, nos anos 50, quando a TV chegou ao país e ameaçava devorar o rádio. O ator de radionovelas e dublador Tito Balcárcel (Raul Gazolla) vive uma paixão rodeada de mistérios com a fiel ouvinte Lúcia (Julia Lemmertz).
Tito faz a dublagem do ator canastrão César Mássimo (Paulo Souza), par romântico de Lyla Van (Maitê Proença). Além disso, ele vive resignado com papéis secundários em função de sua voz grave, imprescindível para o papel de vilão. Pequenos mistérios envolvem o dublador, numa narração não linear. Um Assassino Entre Nós é a sugestiva radionovela campeã de audiência, que se interpõe com a trama, e que propicia uma viagem no túnel do tempo, relembrando a época de ouro do rádio. O filme A Hora Mágica, escrito, produzido e dirigido por Guilherme de Almeida Prado, é fruto de 17 anos de elaboração, desde o momento em que o cineasta leu o conto Cambio de Luces, do escritor argentino Julio Cortázar. Uma pequena jóia da literatura. Prado transpôs para as telas uma viagem rumo à nostalgia dourada dos anos 50. Os bastidores do rádio e das dublagens de filmes, embalados por boa música popular, fazem de A Hora Mágica um importante resgate histórico. A ponte entre imaginário e realidade é sugerida pelo próprio título do filme. Prado explica que existe um momento do dia, instantes após o pôr-do-sol, em que a luz solar ainda não desapareceu completamente e o negativo cinematográfico usado para filmar de dia ainda tem sensibilidade suficiente para captar as imagens com luz natural, porém cria um efeito noturno. Esse curtíssimo momento do dia é apelidado de hora mágica.


