A segurança e a empolgação com que Isis Valverde fala de sua primeira protagonista em novelas impressiona. Até porque, apenas sete anos dividem a jovem intérprete de Ana do Véu, de "Sinhá Moça", de 2007, da mulher decidida e ciente de sua carreira que dá vida a Sandra, mocinha da atual novelas das seis, "Boogie Oogie". "Pelas boas oportunidades que tive desde a minha estreia na tevê, muita gente me cobrava sobre quando eu iria protagonizar uma trama. Mas era uma pressão externa. Me preocupo mais com a qualidade das personagens do que com o peso dentro da novela", jura.
Aos 27 anos, a atriz mineira da pequena Aiuruoca sabe que ainda há muito a aprender. No entanto, um certo ar de maturidade passou a definir mais suas atuações a partir de trabalhos como "O Canto da Sereia" e "Amores Roubados". Ao protagonizar as duas elogiadas microsséries, Isis, enfim, conseguiu fugir um pouco mais de tipos cômicos e sensuais, algo bem frequente em sua trajetória. "Foram projetos maravilhosos, arrojados, onde pude ter outras experiências de construção e abrir meu leque como intérprete. É muito legal você ganhar personagens diferentes do habitual", valoriza.
Essa "bagagem" angariada nas microsséries é utilizada por Isis em "Boogie Oogie". Sandra é uma mocinha tradicional que perde o grande amor em um grave acidente de avião. No entanto, ela acaba se apaixonando pelo sobrevivente do desastre, Rafael, de Marco Pigossi. "A história é bem folhetinesca. Tento dar um tom mais realista ao papel. Acho que faltava uma mocinha clássica como essa na minha carreira. Estou adorando. Até porque ela não é tão doce, nem tão seca, é um tipo bem palatável", avalia.
O deleite de Isis com a personagem começou ainda durante a preparação. A atriz confessa que adorou mergulhar no colorido e exagerado universo do final dos anos 1970, época que ambienta a trama. Entre cenas de "Dancin’ Days", filmes, músicas e fotos, os figurinos foram o foco de Isis. E para surpresa da intérprete, em seu próprio guarda-roupa, ela pôde encontrar "ecos" da era "disco". "Meu armário tem várias calças boca de sino e muitas coisas de crochê. Gosto dessa estética meio ‘hippie’ da época também. São coisas que resistem ao tempo e aos modismos", destaca.
Com muitos convites para o teatro e o cinema, Isis teve de adiar alguns projetos para atender ao chamado de Ricardo Waddington, diretor de núcleo de "Boogie Oogie". A atitude é justificável. Se hoje a atriz é um nome disputado dentro da Globo, alguns créditos pertencem a Waddington. Foi ele quem bateu os olhos no teste de Isis para "Sinhá Moça" e a escolheu para dar vida à misteriosa Ana do Véu. "Toda vez que ele me chama para fazer alguma coisa, sei que será legal. Essa confiança é importante", explica. Entre textos e mais textos de Sandra, Isis não se assusta em nada com o trabalho que envolve o posto de protagonista. Contente com os rumos de sua personagem e com o resultado na audiência, já acima de tramas antecessoras como "Meu Pedacinho de Chão", a atriz confirma que não sofre para ver sua mocinha querida pelo público. Mas dá o melhor de si pela boa repercussão de seu trabalho. "Nunca idealizo nada porque depois a frustração pode ser maior. No entanto, faço tudo com amor, carinho, dedicação, buscando uma reposta positiva", garante.

mockup