A hora e a vez dos musicais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de março de 2012
Adriana De Cunto <br> <br> Equipe da Folha 
Curitiba - ''Judy Garland - O Fim do Arco-Íris'', montagem brasileira do texto do inglês Peter Quilter, que conta a última turnê da atriz norte-americana, é o único musical da mostra principal do Festival de Teatro de Curitiba, que começou ontem. O espetáculo, que tem no elenco Claudia Netto, Francisco Cuoco e Igor Rickli, é mais uma adaptação da elogiada dupla de diretores Claudio Botelho e Charles Meller, responsável por trazer para os palcos brasileiros As Bruxas de Eastwick, Um Violinista no Telhado, Hair, Gypsy, entre outras peças.
As montagens britânica e brasileira foram bastante elogiadas pela crítica e apresentam ao público os últimos meses da trajetória de Judy Garland (mãe de Liza Minelli), uma das mais maiores atrizes e cantoras da época de ouro do cinema americano. A peça concentra-se na turnê da diva em Londres, já vítima de uma série de problemas devido à dependência de drogas, alcoolismo e depressão. Judy Garland faleceu no ano seguinte, em 1969.
A crítica carioca não poupou elogios à interpretação de Claudia para clássicos como ''Over the Rainbow'', ''For Once In My Life'' e ''That's Entertainment''. As duas apresentações da peça serão nos dias 5 e 6 de abril, às 21 horas, no Guairão. A entrada custa R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia).
Mais quinze
Mas se a programação oficial traz somente um musical, os fãs desse gênero não têm do que reclamar quanto ao Fringe, mostra paralela do Festival. Quinze espetáculos fazem parte da grade específica para Música e Dança. Sem falar em outros espetáculos recheados de ritmo, mas que se enquadraram em outros gêneros como comédia, infantil ou drama.
A grande presença desse gênero no Fringe mostra que Curitiba segue uma tendência que chegou ao País há uma década e que colocou o Brasil como o terceiro mercado mundial de musicais, ficando atrás dos Estados Unidos e da Inglaterra. O levantamento foi feito pela Revista Meio & Mensagem, lembrando que grande parte dos espetáculos foram importados da Broadway, ou seja, produtores brasileiros compraram dos americanos o direito de reproduzirem as peças por aqui. É o caso de ''Cats'', ''Chicago'' e mais recentemente ''A Família Addams''.
O cenário que se apresenta no Fringe não surpreende o diretor musical Jr. Pereira, à frente de 12 produções do Festival de Curitiba. Na opinião dele, o interesse do público vem crescendo gradativamente e isso vem refletindo na oferta de espetáculos. ''Este ano está muito mais quente do que nos anos anteriores. Tem muito musical legal para assistir (no Festival de Teatro)'', avisa o diretor.
Jr. Pereira reconhece o papel da importação dos musicais americanos para o Brasil no sentido de despertar o gosto da público para o tema. Mas, para o diretor, chegou a hora de ''cortar o cordão umbilical'' com a ''Broadway tupiniquim'' e valorizar as produções musicais locais, que são bastante ricas. Várias composições que fazem parte dos espetáculos que Pereira dirige são de sua autoria.
A diretora coreográfica Hany Morgenstern trabalha na produção de dois musicais do Fringe e observou este ano maior interesse nesse gênero tanto pelo público quanto pelas companhias. Ela lembra que muitos atores a procuram buscando aulas particulares individuais ou em grupo de preparação corporal e dança. ''Eles querem se especializar em musicais'', revela.
Serviço:
Informações sobre ingressos e horários de espetáculos podem ser obtidas no site http://festivaldecuritiba.com.br


