Os japoneses inventaram, acidentalmente, o karaokê, que de tão popular mundo afora, passou a verbete de um dos mais tradicionais dicionários, o ''The Oxford English Dictionary''. No Brasil, a cantoria para os lexicógrafos é caraoquê, com ''q-u-e''. Porém, a maioria dos adeptos de um microfone e um book com a letrinha das músicas na frente, na hora de cantar, não está preocupada com a etmologia da palavra. O negócio é soltar a voz.
Nessa onda dos que deixaram de cantar somente embaixo do chuveiro e partiram para o ataque, já inventaram o videokê, sucesso absoluto em todo tipo de confraternização, o karaokê on-line, enfim... chegou a hora e a vez dos cantores amadores mostrarem todo o swing no bandokê, um karaokê com banda - o que faltava para o show ser completo.
O analista de sistemas Marcelo Musilli, 34 anos, conheceu a novidade na Irlanda. No país europeu, os cantores pagam uma espécie de couvert aos músicos da banda, o que, na opinião de Musilli, torna a modalidade de karaokê interessante também para os profissionais de música. ''O bandokê dá mais liberdade para a improvisar. Basta a gente dar uma olhadinha para a banda, sinalizando. O karaokê, por exemplo, é mais quadradinho, você loca uma sala, reúne os amigos e só. No bandokê, você se apresenta com músicos de verdade e tem o seu momento de fama'', comenta Musilli.
O karaokê, como conhecemos hoje, teria surgido em Kobe, no Japão, numa versão japonesa do jeitinho brasileiro. O dono de um bar de música ao vivo ficou com a banda desfalcada pelo guitarrista. A solução que encontrou foi pegar algumas músicas gravadas só com acompanhamento para os vocalistas cantarem. Nascia o karaokê.
Já o bandokê made in Londrina surgiu com a idéia da professora de música Carla Nishimura em tornar as audições musicais mais divertidas. É aí que entra a banda ''Chico Sério''. Convidado para tocar, no que seria uma audição, o grupo ajudou a inventar o bandokê londrinense. ''O bandokê surgiu da necessidade de proporcionar aos alunos uma vivência de cantar com uma banda. Temos alunos que sentem medo de cantar em público e se apresentar juntamente com outras pessoas dá mais segurança'', explica Carla.
Sertanejo, pop, rock e funk. No bandokê também até vale desafinar, sair fora do ritmo, atravessar a música. A banda precisa estar preparada para tudo. Formada pelos músicos Edson Hirashima (guitarra), José Ronaldo Parizi (violão), Anderson Carvalho (baixo) e Cleisson Veronez (bateria), a banda ''Chico Sério'' não perde a esportiva nem que tenha que acompanhar o inteligentíssimo refreão ''piri pipiri pipiri piri piriguete''.
Tocar em bandas de bandokê também é uma maratona musical. A ''Chico Sério'' tem um repertório de pelo menos 200 músicas para os cantores escolherem. ''Em geral, o pessoal canta bem, mas se erra, olha para banda, como que perguntando: ''O que eu faço agora?'' O violonista Parizi conta que o dia de fama dos cantores de bandokê não passa sem registro fotográfico, já que alguns amigos precisam ver para crer. Ele ainda completa: ''Às vezes, o cantor olha para a gente, esperando que avisemos a hora de entrar na música. Quando vai terminar, a mesma coisa. Uma olhadinha como se dissesse: ''Acabou?''
A banda Chico Sério se apresenta segunda-feira, às 20h, dentro da programação cultural da Feira Mãos e Artes, no Centro de Eventos, em Londrina.

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