A hora e a vez das estrelas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de julho de 1997
Antônio Mariano Junior Londrina 
Uma das principais atrações do 17º Festival de Música de Londrina sobe hoje, às 20h30, ao palco do Cine-Teatro Ouro Verde. E certamente será recebida com reverência devida à sua importância no atual quadro de divulgadores da música erudita. É o Ensemble Capriccio, que vem direto de Minneapolis (EUA) para se apresentar, inclusive, pela primeira vez no Brasil. O programa terá obras de Haydn (Trio em Sol Maior nº 53), Skrdwaczewski (Trio para Cordas) e Villa Lobos (Trio para Cordas).
O Ensemble Capriccio é formado por Chouei Min (violino), Korey Konkol (viola) e Mina Fisher (cello). Existe há 15 anos. A vinda ao Festival de Música se deu através de um encontro dos músicos com o consagrado pianista brasileiro Caio Pagano, no ano passado, na França. Gostaram das referências e remeteram um CD - aliás, o primeiro, lançado em janeiro deste ano - para a cúpula do evento.
Foram aprovados na hora. Para essa mesma época tínhamos oportunidade de tocar em outros festivais nos EUA mas decidimos privilegiar o Brasil - conta Korei Konkol. Além de atrações - juntos eles fazem hoje uma única apresentação - os músicos são também professores do Festival. E, coincidentemente, acabaram por entrar no pique artístico do evento que, mais uma vez, dá destaque à música brasileira.
Ou seja, no repertório da apresentação de hoje acabaram por incluir uma peça de Villa-Lobos. É uma peça que tem muito das expressões da música brasileira e, portanto, é muito difícil - arrisca Korei Konkol. Simpáticos e diplomáticos, os integrantes do trio dizem querer apenas fazer uma boa apresentação. Não temos ego- brinca a violinista Chouei Min, ao ser indagada sobre a responsabilidade do trio ser apontada como uma das atrações mais festejadas do Festival. Enquanto tocarmos, vamos dar o máximo de nós. E, claro, tirar o melhor proveito possível do local flavor (atmosfera local) - completa.
Apoio necessárioDesde sua formação, em 82, o Ensemble Capriccio vem dedicando exclusivamente à execução de música de câmara. Durante esse tempo todo o trio foi adquirindo prestígio e se firmando cada vez mais - nos EUA existem apenas outros dois trios de cordas que atuam profissionalmente. A agenda é repleta e inclui, entre outras coisas, participação de concerto no Walker Arte Center, do Weisman Art Museum, onde o trio pertence à qualidade de conjunto de residência; e também participação em audições públicas, concertos beneficentes, palestras e ensaios aberto.
Para que tudo flua sem maiores problemas, as atividades culturais e profissionais são conduzidas por uma Diretoria Executiva, formada por 15 pessoas das mais diversas profissões, que vai atrás do patrocínio. E isso, pelo menos nos EUA, ou mais especificamente em Minnesota, parece não ser muito problema. É que naquela naquela cidade, situada no Estado de Minnesota, existe uma imensa concentração de empresas de grande porte.
Bem, até aí nada demais: São Paulo é uma imensa cidade cultural. Mas a grande novidade - pasmem!! - é que um grupo de algumas das maiores empresas investe anualmente cinco por cento dos lucros em atividade culturais. Em Minneapolis existe um ambiente propício às artes- gaba-se Konkol. Sem sombra de dúvidas, há mesmo.
Artisticamente, o trio também não pode reclamar. O que poderia ser um grande problema - o fato de existirem poucas peças escritas para trio de cordas em função de a maiora ter sido escrita no período clássico e completamente esquecida no período seguinte, o romântico - é resolvida de maneira simples: compositores são pagos para escrever especialmente para o trio.
O pagamento é feito de acordo com a fama do autor - o preço para alguém não muito famoso varia de US$ 5 mil a US$ 10 mil, enquanto os renomados podem ganhar até US$ 20 mil para uma peça de 25 minutos. Tem muitos compositores que acabam não cobrando nada porque o retorno mesmo é ver uma peça sua sendo executada - explica Chouei Min. Durante o festival, o trio foi procurado por dois professores interessados em mostrar algumas composições: o paranense Henrique de Curitiba e o carioca Harold Emert.
q Ensemble Capriccio - Trio de Cordas de Minneapolis. Hoje, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Ingressos a R$ 3,00 (estudantes pagam meia).


