A hora e a vez da
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de maio de 1997
Maranúbia Barbosa Especial para a Folha Turismo 
A Mata Atlântica, no sul de São Paulo: o que sobrou dela pode ser definido
como um conjunto de florestas, densas e altas, que cobre serras e planícies costeiras.Talvez tudo tenha começado com a ousadia dos botes infláveis cor de laranja dos guerreiros do arco-íris, comumente chamados de Greenpeace. O despertar para a importância do meio-ambiente fez surgir preocupações e movimentos para preservação da flora e fauna do Planeta. A palavra de ordem é ecologia. No Brasil, paraíso da natureza tropical, não faltam motivos para os ecologistas franzirem a testa. Os sulcos de preocupações se acentuam quando se fala em Mata Atlântica. É nesse momento que todos os olhares se voltam especialmente para o litoral de São Paulo, mais precisamente, a parte sul da floresta litorânea.
O verde é a única riqueza que a mata abriga. Lá pelos idos de 1832, o naturalista inglês Charles Darwin, a bordo do navio Beagle, prendia a respiração pela beleza incontestável da mata que recobria de modo quase contínuo uma faixa paralela ao litoral brasileiro. Tantas o homem fez (e aí se inclui bandeirantes portugueses e mercenários brasileiros e de outras nacionalidades) que hoje em dia restam menos de 5% da vegetação exuberante que encantou Charles Darwin. E dentro desse pequeno pedaço de mata se refugiam os gatos-do-mato, muriquis, papagaios e micos-leões.
Trama alimentar O que sobrou da mata pode ser definido como um conjunto de florestas, densas e altas, que cobre serras e planícies costeiras. No andar mais alto da mata as árvores chegam a 30 metros. No chamado sub-bosque, composto por árvores menores, encontram-se as epífitas, plantas que crescem agarradas a outras plantas. Aí estão maravilhas como bromélias, orquídeas, musgos e líquens.
No meio da mata existem centenas de bacias hidrográficas, com riachos que nascem no alto das serras e deságuam no Oceano Atlântico. São inúmeras as cachoeiras, corredeiras e remansos. Na complexa trama alimentar estão cobras-dágua, garças, martins-pescadores e lontras, que convivem com sapos, pererecas, lambaris e traíras.
Em última análise, as áreas remanescentes da Mata Atlântica constituem um rico e insubstituível patrimônio natural. Pressionados por problemas econômicos e sociais, os países subdesenvolvidos como o Brasil chegam a uma encruzilhada: utilizar os recursos naturais explorando o turismo ou resguardar os ecossistemas de forma a preservar a diversidade biológica. O meio-termo parece ser o caminho mais coerente.


