A tão aguardada fase de MPB da 19ª Oficina de Música de Curitiba começa amanhã. Consagrada em todo o Brasil como a melhor e mais respeitada oficina de Música Popular Brasileira, o evento chega à sua nona edição consecutiva servindo de referência nacional. Nos próximos dez dias, mais de mil alunos estarão frequentando 35 diferentes cursos. Abrindo a programação, nesta noite terá início o ‘‘Circuito Off’’ que, como nos anos anteriores, promove shows em circuito alternativo no mesmo período das oficinas de MPB.
Desta vez o palco será o bar e espaço cultural Era Só o Que Faltava. Ao todo serão 12 shows reunindo alguns dos maiores músicos brasileiros. Entre o seleto time que passará por Curitiba nos próximos dias está Mônica Salmaso, Maurício Carrilho, Proveta, Benjamin Taubkin, Arismar do Espírito Santo e Nenê. Também irão se apresentar os curitibanos Chico Mello, Saul Trumpet e Waltel Branco, que abre a programação logo mais.
Ele subirá ao palco acompanhado das cantoras Rogéria Holtz e Laís Mann e dos instrumentistas Helinho Brandão, Ari Lunardão, Kito Pereira, Inês Lombardi e Tião Cruz. No repertório do violonista, maestro, compositor e arranjador Waltel Branco terá destaque o seu novo disco, ‘‘Projeto Naipi’’, que será oficialmente lançado em março.
Tanto a programação do Circuito Off quanto a etapa de MPB da oficina encerram no dia 27 de janeiro. Até lá, muita música boa vai rolar em Curitiba. O coordenador da Oficina de MPB, Roberto Gnatalli, conta que um dos pontos altos desta edição será a realização de cinco mesas redondas que irão abordar a produção musical do século 20 e o encontro da música popular e erudita, entre outros assuntos.
Outra grande novidade será o ‘‘Encontro Nacional de MPB Vocal’’, evento inédito no Brasil e que contará com a presença de 11 renomados professores da área vocal. O grupo será coordenado pelo maestro Marcos Leite e o resultado final do trabalho deverá ser a montagem do espetáculo ‘‘Gota D’Água’’, de Chico Buarque e Paulo Pontes.
Um dos maiores sucessos na oficina de MPB do ano passado, o curso ‘‘Informática Aplicada à Música’’ será repetida nesta edição. Como quase todos os outros cursos oferecidos pelo evento, as vagas esgotaram rapidamente e muitos interessados ficaram sem conseguir realizar a matrícula.
Outra inovação que deverá agradar aos participantes desta edição é o curso ‘‘Prática de Conjunto de Rock’’, coordenado pelo veterano roqueiro Ivo Rodrigues, da banda curitibana Blindagem.
Na opinião do maestro Gnatalli, nada é mais gratificante do que a repercussão nacional do trabalho realizado na oficina de música. ‘‘Todos os anos recebemos secretários da Cultura de outras cidades que vêm até aqui para ver como fazemos a oficina’’, conta. Ele diz que projetos similares já foram implantados em Itajaí (SC), Goiânia (GO), Belém (PA), Recife (PE), Manaus (AM) e vários outros locais do País.
Orgulhoso, Gnatalli fala que a oficina permite momentos de reflexão sobre novas propostas de estética na música. ‘‘Esta oficina de 2001 é o primeiro evento do século nesta área. Embora seja simbólico, estamos na pole-position da MPB na área pedagógica’’, brinca.
Em entrevista à Folha2, Gnatalli falou ainda sobre a importância do Conservatório de MPB de Curitiba, fundado há oito anos. Hoje são 30 professores, um número crescente de alunos e uma longa história de conquistas. ‘‘O Conservatório abriu o mercado nacional da música, incentivou a pesquisa e promoveu novos grupos, como o Viola Quebrada e o Fato’’.
Para abrir oficialmente a 9ª Oficina de MPB, Roberto Gnatalli irá reger amanhã a Orquestra do Conservatório de MPB de Curitiba. O concerto terá início às 21 horas, no auditório da Reitoria.
O encerramento do evento, no dia 27, também será no teatro da Reitoria. No palco estará o Quarteto Arranca Toco, formado por Nailor Proveta (clarineta), Pedro Amorim (bandolim), Maurício Carrilho (violão) e Jorginho do Pandeiro (percussão).

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