A HORA DO SPINOSSAURUS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de julho de 2001
Carlos Eduardo Lourenço Jorge de Londrina Especial para a Folha 2 
Não tem a direção de Steven Spielberg? Não importa. Para a grande massa de espectadores que deve invadir as salas a partir de hoje, a assinatura é o que menos conta. O Tiranossaurus Rex já não assusta tanto assim? Não há problema, o novo rei do pedaço pré-histórico criado por Hollywood nos anos 90 é muito mais predador, e atende pelo nome de Spinossaurus, um lagartão anfíbio, carnívoro, avantajado e barulhento. Deixando cerca de US$ 1,5 bilhão nas bilheterias do mundo inteiro para ver os dois primeiros filmes, Jurassic Park e The Lost World, o público praticamente decretou mais uma continuação, este Jurassic Park 3 .
Em seus 90 minutos corridíssimos, o filme não ambiciona render homenagem à lógica ou cortejar as antologias. É entretenimento dentro da média consumista, realizado para uma vez mais atestar, acima de tudo, a supremacia tecnológica.
Quem está de volta é o Dr. Alan Grant (Sam ONeill), o paleontólogo do Jurassic Park original. Desaparecido do segundo filme, ele andou fazendo curiosas pesquisas. E para assombro nosso e da ciência, descobriu que aqueles dementes velociraptores são criaturas bem mais espertas do que a nossa vã ficção poderia imaginar.
Louco por um subsídio, embarca numa estranha aventura: servir de guia num sobrevôo turistico na ilha Sorna (uma das duas escolhidas pela InGem para pesquisas com criaturas primitivas). O primeiro de uma série de problemas é que o empresário excêntrico que o contrata é na verdade um pai à procura do filho adolescente desaparecido na região. É claro, o avião cai e a caçada começa: fauna pré-histórica faminta (e até inteligente) atrás de petiscos humanos da idade da cibernética, mas absolutamente desprovidos de recursos. A exceção é um celular, perdido e recuperado em circuntâncias, digamos, divertidamente escatológicas.
O roteiro escrito por um pequeno time saído do cinema independente tem a grande vantagem de não complicar. Algumas anedotas rápidas (o xixi do T-Rex, o cocô musical do Spinossaurus, a referência crítica às embaixadas americanas espalhadas pelo mundo, os diálogos entre os raptores) passam meio furtivas para o espectador, ocupado demais com a montanha-russa de emoções e com o jogo de gato e rato, de tirar o fôlego. E se houver tempo para um raciocínio instantâneo, a conclusão um tanto óbvia é que Jurassic Park 3é uma comédia em ritmo de Survivor. Um salve-se quem puder somente desaconselhável para menores de 10 anos.


