Como qualquer astro da tevê americana, George Clooney já se viu diante de um dilema. Receoso de ter de repetir o mesmo personagem por anos a fio, o ator que interpreta o Dr. Ross, de ‘‘Plantão Médico’’, resolveu arriscar o cinema. A experiência, porém, não foi muito bem-sucedida. Depois de três filmes em que não convenceu - ‘‘Um Dia Especial’’, ‘‘O Pacificador’’ e ‘‘Batman e Robin’’ - George Clooney está mais para David Caruso, que se deu mal ao deixar a série ‘‘Nova York Contra o Crime’’, que para Bruce Willis, que teve a sorte de emendar ‘‘A Gata e o Rato’’ com ‘‘Duro de Matar’’. Com ‘‘Irresistível Paixão’’, que estréia hoje nos cinemas brasileiras, Clooney espera mudar o quadro.
George Clooney interpreta Jack Foley, um ladrão de bancos que foge da prisão com a ajuda do parceiro Buddy Bragg, vivido por Ving Rhames, de ‘‘Pulp Fiction’’. Durante a fuga, eles sequestram Karen Sisco, uma agente federal interpretada pela mexicana Jennifer Lopez. Como já era de esperar de Elmore Leonard - autor de livros já famosos no cinema, como ‘‘O Nome do Jogo’’, adaptado por Barry Sonnenfeld, e ‘‘Jackie Brown’’, de Tarantino - o assaltante e a policial se apaixonam. Karen acaba escapando dos bandidos, mas não consegue tirar o meliante da cabeça. Na segunda parte da história, ela corre o país atrás do sujeito, enquanto ele planeja um último golpe.
A Universal se arriscou quando escolheu Steven Soderbergh para a direção de ‘‘Irresistível Paixão’’. Afinal, o mais jovem diretor do mundo a ganhar a Palma de Ouro em Cannes - quando fez ‘‘Sexo, Mentiras e Videotape’’ tinha 26 anos - não conseguiu emplacar mais nenhum filme. Passados nove anos, ele colecionou fracassos como ‘‘Kafka’’, ‘‘Obsessão’’ e ‘‘O Inventor de Ilusões’’. Aos 35 anos, um dos pioneiros do cinema independente americano espera dar uma guinada na carreira e, para isso, junta-se a um dos mais requisitados autores da temporada. O americano Elmore Leonard é hoje o que Michael Crichton, de ‘‘Jurassic Park’’ e ‘‘Assédio Sexual’’, e John Grisham, de ‘‘A Firma’’ e ‘‘Dossiê Pelicano’’, foram há alguns anos: o autor da vez.
Apesar de tudo, ‘‘Irresistível Paixão’’ atesta o quanto os executivos da Universal não estavam enganados. O filme funciona bem ao mostrar que Soderbergh não deve ter vergonha de render-se aos apelos dos grandes estúdios e, principalmente, que o subestimado George Clooney pode render, se melhor aproveitado. O ator está ótimo no papel do gatuno que assalta bancos sem carregar uma arma sequer. Contrariando a atual tendência do cinema policial americano, revisitado por nomes como Quentin Tarantino e os irmãos Coen, Soderbergh prova que ainda é possível fazer um bom thriller policial em que nem tudo se resolve no tiroteio final entre mocinhos e bandidos.

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