A hora da estrela
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de março de 1998
André Bernardo TV Press 
Para a atriz Maria Luísa Mendonça, o ciclo das personagens polêmicas está definitivamente encerrado. Aos 28 anos, ela não teme o lugar-comum ao afirmar que a temperamental Amanda, de Corpo Dourado, inicia uma nova fase em sua carreira. Afinal, foram três papéis carregados de controvérsias numa curta carreira de cinco anos na tevê: a hermafrodita Buba, de Renascer, a homossexual Letícia, de Engraçadinha, e a neurótica Vera, de Explode Coração. A aversão da atriz aos rótulos é tanta que ela evita até classificar a vingativa e autoritária Amanda como a vilã da trama de Antônio Calmon. Não importa se sou a vilã ou a heroína. O importante é ter a chance de viver personagens diferentes a cada novela, ressalta.
Apesar do modesto currículo - que inclui três novelas, uma minissérie e um episódio de A Comédia da Vida Privada -, aponta sua fase atual como um divisorde águas na sua vida pessoal e profissional. Além de interpretar uma personagem com uma vida sexual aparentemente bem-resolvida, ela estréia como mãe e atriz de cinema. Casada há dois anos com o diretor de publicidade Rogério Gallo, a atriz comemorou no mês passado o aniversário de um ano de sua filha Júlia. No campo profissional, ela aguarda a estréia de Um Coração Iluminado, de Hector Babenco. Ela faz parte, ao lado de Xuxa Lopes, do elenco brasileiro do filme. O Babenco sabe como deixar os atores à vontade num set de filmagens, elogia.
A estréia da atriz Maria Luísa Mendonça no cinema aconteceu de forma curiosa. Diretor de filmes como Pixote - A Lei do Mais Fraco e O Beijo da Mulher Aranha, o argentino Hector Babenco concebeu The Foolish Heart nos moldes de uma produção norte-americana de US$ 10 milhões. Para o elenco, já estavam confirmados nomes como Willem Dafoe, de A Última Tentação de Cristo, Nastassja Kinski, de Paris, Texas, e Irene Jacob, ganhadora do Oscar de melhor atriz por O Paciente Inglês. Lá pelas tantas, Babenco mudou de idéia e transformou The Foolish Heart numa produção falada em espanhol, com atores brasileiros e argentinos.
Escrito em parceria com o argentino Ricardo Piglia, Um Coração Iluminado conta a história de um jovem cineasta, que volta à Argentina depois de 20 anos. Convidada pelo diretor para substituir a premiada Irene Jacob, Maria Luísa teve de aprender espanhol para interpretar a instável Maria, namorada de adolescência de Juan, alter ego de Hector Babenco interpretado no filme pelo ator argentino Walter Queiroz.


