A história social da música brasileira
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de março de 1999
Elisa Marilia Carneiro 
A Música Popular Brasileira é tão vasta e rica na sua história quanto a música chamada erudita ou clássica. A História Social da Música Popular Brasileira é o tema do curso especial da professora de História da Música Maria Clara Wasserman, no Conservatório de MPB de Curitiba.
De acordo com a especialista em MPB, no curso serão abordados os principais aspectos da análise dos espaços de sociabilidade em que foi criada a MPB no Rio de Janeiro do final do século passado.
O movimento que deu origem à MPB foi essencialmente urbano e teve início na década de 90 do século passado. Os primeiros registros eram para os ritmos do tango, da polca, maxixe, lundu e modinhas. Tudo isso gerou o ritmo samba, conta.
Apenas em 1917 começaram a ser gravadas as primeiras fitas na Cada Edson, num ritmo que chamou-se samba. Há contradições, mas a palavra samba pode ser uma corruptela de semba, dança angolana. Pelo menos, essa é a localização mais próxima da palavra.
Os compositores Donga e Sinhô foram os primeiros a gravarem uma música oficialmente com o ritmo samba. Foi Pelo telefone - um grande sucesso de Carnaval.
Mas Chiquinha Gonzaga foi a primeira compositora de MPB. Vivendo com a boemia do final do século e apoiada pelo inventor do choro, Carlos Callado, Chiquinha compôs grandes sucessos como Atraente e Abre Alas. Nessa época, a divulgação das música só era feita com a venda de cópias das partituras e com grande esforço pessoal dos compositores, reconhece Maria Clara.
A indústria cultural, que teve início em 1920, impulsionou a Era do Rádio e a fabricação dos mitos dessa época: Carmem Miranda, Mário Reis, Ari Barroso e Ataulfo Alves entre outros.
A partir de 1940 tiveram início os programas de auditório com Emilinha Borba e Marlene com os sambas-canção em ritmos bolerados. A Bossa-Nova, pelas mãos do genial compositor João Gilberto traz o novo e os festivais de protesto. Em seguida começa o movimento chamado tropicalia com seus principais responsáveis entre Chico Buarque, Geraldo Vandré, Elis Regina, Gal Costa, Gilberto Gil e Caetano Veloso.
O curso de Maria Clara terá duração de 30 horas e pode ser pago, à vista, R$ 64,00 ou duas vezes de R$ 40,00. As aulas, com recursos de documentos sonoros originais como fitas, slides e vídeos, serão ministradas aos sábados, das 9h às 12 horas, de 13 de março a 29 de maio. O único pré-requisito é que o aluno tenha idade superior a 14 anos.


