O jornalista Leandro Narloch, 31 anos, deve ser bom de briga. Afinal, com o lançamento do ''Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil'', ele arrumou encrenca com comunistas, sambistas, militares, acreanos, índios e outras ''minorias''. ''A proposta do livro é desconstruir um tipo de história que nos ensinam na escola - e que de tão repetida acaba se transformando em verdade incontestável'', diz o autor.
No guia, é colocado, por exemplo, que os índios devastaram (e muito) a natureza, encantaram-se com a cultura europeia e também foram os responsáveis por dizimar outros índios. ''O que a gente aprende por aí é que os índios são seres puros, sem nenhum pecado e que foram só vítimas da colonização. A verdade é sempre mais complexa'', fala.
Agora, nada mais polêmico do que a desmistificação de Zumbi. Segundo pesquisa realizada pelo autor, Zumbi capturava escravos de fazendas vizinhas para trabalhar à força no Quilombo dos Palmares.
A metralhadora giratória de Narloch tem muito cartucho para gastar. O livro não deve angariar, por exemplo, muita simpatia no Acre. ''Tem essa história de que o Brasil fez um grande negócio quando adquiriu o Acre da Bolívia. Nada disso, quem fez um excelente negócio foi a Bolívia. Isso é fato.''
Nem mesmo as figuras que os brasileiros aprenderam a admirar estão livres de alguns tropeços. A versão de que Santos Dumont não seria o inventor do avião já é bastante conhecida (os pais da aviação seriam os irmãos Wright), mas o que pouca gente sabe é que sequer os relógios de pulso devem ser colocados ''na conta'' dele. Na verdade, eles já eram usados antes mesmo de Dumont nascer.
Quer mais? Que tal Machado de Assis trabalhando como censor; Jorge Amado elogiando Adolf Hitler ou Gilberto Freyre elogiando a Ku Klux Klan? Boa sorte para o Narloch. Ele vai precisar...

SERVIÇO
- Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil
Autor - Leandro Narloch
Editora - Leya
Quanto - R$ 39,90

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