A história proibida de Serro Azul
Vivian de Albuquerque
A época é a dos anos de 1889 a 1894. O cenário, a cidade de Curitiba, ainda no tempo em que tinha apenas 150 mil habitantes e uma pequena cultura de erva-mate. Começaram no último sábado, na capital paranaense e em cidades como a Lapa, Castro e Paranaguá, as gravações de um dos longa-metragens mais esperados do ano de 1999. Com um orçamento de R$ 2 milhões, e a previsão de oito semanas de gravações ininterruptas, Serro Azul, do diretor Paulo Morelli, estará contando, em 90 minutos, um dos episódios mais marcantes da história do Paraná: a trajetória de Ildefonso Pereira Correia, o famoso Barão do Serro Azul.
A pesquisa, dificultada principalmente pela falta de registros, tem quase 6 mil páginas e levou cerca de quatro anos para ficar pronta, incluindo a elaboração do roteiro. Mas até março do ano que vem, o sonho do produtor e idealizador do projeto, o curitibano Maurício Appel, já deverá estar nas telas de todos os cinemas do país.
A história do Barão ficou proibida durante quase 40 anos, lembra Appel. E quase todos os jornais da época foram destruídos. Por isso contei com o trabalho de Túlio Vargas, idôneo e um dos maiores nomes da Academia Paranaense de Letras. Nós compramos os direitos autorais da obra que ele escreveu intitulada A Última Viagem do Barão do Serro Azul. Dela, algumas coisas foram salientadas, personagens agrupados e alguns pontos até meio romanceados para dar mais cor ao filme, explica.
A definição para o trabalho, segundo o Morelli, que faz a sua estréia na categoria longa-metragem, é a de um verdadeiro desafio. Primeiro pelo tempo de filmagem e depois pela própria responsabilidade de se fazer um filme histórico. Serro Azul é a história de um homem que morreu porque manteve a palavra, resume ele. E nós temos que contar isso em 90 minutos, gravados em oito semanas. Vai ser corrido, mas possível porque já está tudo preparado para o começo das filmagens. Os americanos costumam levar de 12 a 18 semanas, no mínimo, para fazer um filme como este nosso, revela.
Com músicas executadas pela Orquestra Sinfônica de Berlim, finalização programada para ser feita em Los Angeles e direção de fotografia feita por Luis Branquinho, importado de Portugal, o longa traz no elenco, além de um grande número de figurantes e artistas locais, atores de peso como Giulia Gam (a esposa do Barão, Maria José), Camila Pitanga (Anésia) e Danton Mello (Daniel). Mas um dos mais enturmados com a história é o paranaense Herson Capri, que pela segunda vez interpreta o Barão Ildefonso.
Eu já havia feito este papel no curta Vítimas da Vitória, dirigido por Berenice Mendes, em 94, conta o ator. Mas desta vez o trabalho é bem diferente, como se eu estivesse fazendo uma outra história. Ela é bem mais detalhada e aprofundada. É, com certeza, uma grande responsabilidade.
Esta responsabilidade que deverá ser dividida com Giulia Gam. Já de aplique nos cabelos, que antes estavam bem curtos, ela se diz completamente identificada com o papel de esposa do barão.Ele é bonito porque consegue mostrar toda a paixão que ela tem pelo marido, explica Giulia. Bem mais realista do que ele, ela não é submissa, mas companheira. E o assassinato, momento final do longa, é uma grande tragédia para ela, comenta.
Até agora, só nesta fase inicial, o filme já gerou quase 1500 empregos, incluindo costureiras e figurantes. E uma das grandes curiosidades é que além de atores e pessoas das mais variadas origens, até policiais militares e representantes de centros de tradição gauchescas terão espaço. Só de maragatos e pica-paus, os papéis que eles representam, nós temos quase 200, contabiliza a produtora, Laura Dalcanalle Alves. E isso está sendo super gratificante para eles. Na academia do Guatupê, por exemplo, os policiais estão há dias treinando a posição de tiro da época.
O grande objetivo do filme é que ele toque a sensibilidade das pessoas, finaliza Appel. Para que elas pensem que a vida sempre se repete. Assim como tínhamos os Maragatos, lutando por terra e melhores condições para seus filhos, hoje temos os sem-terra.
Produção - Maurício Appel
Gerente Executiva - Laura Dalcanalle Alves
Direção de Produção - Sandra Costa
Diretor - Paulo Morelli
Assistente de Direção - Ricardo Pinto e Silva
Roteiro - Walther Negrão
Administração - Roberto Badjuk
Direção de Arte - Daniel Marques
Diretor de Fotografia - Luis Branquinho
Técnico de Som - Silvio Da-Rin
Técnico de Efeitos Especiais - Frederico Farfan
Operador de Câmera e Steady-cam - Marcos Avellar
Figurino - Elisabeth Felipecki e Reinaldo Machado
Costureira - Marisa Schaidt
Maquiagem - Marlene Moura
Produção de Casting - Lilian Cordeiro
Direção de Platô - Rosane Melink
Produção de Animais - Édson Cardoso
Produção de Objetos - Renata Tessari e Monica Fernandes
Assistente de Objetos - Bianca Dalcanalle, Trícia Andréia e Rodrigo Bernardi
Patrocínio Cultural - Copel, Siemens, Telepar e Sanepar
Apoio - Boticário, Prefeitura Municipal da Lapa, Ferrovia Sul Atlântico, Grupo Positivo, Ouro Fino, Hertz e Governo do Estado do Paraná.
Baseado no livro de Túlio Vargas





