A história intrigante de um paciente difícil
A história intrigante
de um paciente difícil
Com diagnóstico de esquizofrenia paranóide, Arthur Bispo do Rosário foi internado pela primeira vez, em 1938, no Hospital Psiquiátrico da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, depois de jurar ter visto Cristo e mais sete anjos, descendo em seu jardim, sob uma aura luminosa. Mas outras internações vieram também em 1944 e 1948. Nos relatórios dos médicos, eram comuns relatos como o da psiquiatra Georgina Macário, onde se lia que, o doente tem períodos em que ajuda muito no serviço e outros em que apenas fica recluso. Também tem grande capacidade artística, faz bandeiras, tapeçarias, etc. Doente difícil de lidar, devido à paranóia extrema...tem diversos delírios místicos e de grandeza e se crê enviado por Deus.
Pobre e negro, Bispo foi primeiro marinheiro, depois boxeador, lavador de bondes, borracheiro e porteiro. E após mais de 50 anos em asilos, acabou morrendo aos 80 anos, de um infarto do miocárdio, como indigente, sem deixar bens. Como herança ficaram os painéis feitos com grampos de roupa, armações de óculos e abajures, e os mantos bordados com os fios azuis de sua farda de internamento. Tudo o que pode ser visto, ainda hoje, no Museu Nise da Silveira, no Rio de Janeiro. (V.A.)





