Um passeio por cinco séculos da história do Brasil retratados por obras de arte raríssimas produzidas desde época do descobrimento até a entrada no século XX. Essa viagem cultural e histórica é proporcionada pela exposição do acervo da coleção Brasiliana Itaú, aberta no último final de semana, em São Paulo. A mostra, que fica em cartaz de forma permanente com entrada gratuita, conta com 1,3 mil itens preciosos, entre gravuras, desenhos, aquarelas, pinturas a óleo, esculturas, livros, moedas, medalhas, condecorações, mapas e documentos.
"Conseguimos reunir nesta exposição 500 anos do pensamento artístico e cultural, as raízes da arte brasileira", destaca Pedro Corrêa do Lago, curador da exposição montada Espaço Olavo Setubal, que ocupa dois andares do prédio do instituto do Itaú Cultural, localizado na Avenida Paulista, 140.
Divididos em nove módulos, os objetos da mostra são apresentados aos visitantes de maneira cronológica. Logo na abertura da exposição, foram expostas dezenas de ilustrações da fauna e da flora brasileira produzidas por artistas naturalistas e que decoram o hall de entrada dos dois andares que abrigam a exposição.
No primeiro módulo, intitulado "Brasil Desconhecido", destacam-se cartografias, mapas e moedas que retratam fatos pitorescos do País, como o canibalismo praticado pelo índios. "São registros dos primeiros 100 anos do País após o seu descobrimento. Naquela época não havia artistas aqui, a não ser os indígenas. Então as peças que apresentaram o Brasil para o mundo foram produzidas por artistas de fora a partir de relatos dos colonizadores portugueses", contextualiza Lago.
Isso começou a mudar quando, enviado pela Holanda com o objetivo de dominar o nordeste brasileiro, o conde Maurício de Nassau desembarcou no Brasil em 1654, trazendo dezenas de artistas europeus. "Eles retrataram o cotidiano dos brasileiros em gravuras e produziram vários quadros da paisagem da costa brasileira. Itens importantes desta época estão presentes do segundo módulo, Brasil Holandês, com destaque para um exemplar raríssimo do livro História Natural do Brasil, lançado na Europa em 1648 reunindo muitas das obras destes artistas visitantes", enfatiza o curador.
Uma escultura de Nossa Senhora das Dores, assinada por Aleijadinho, e grandes moedas de ouro representam o período de prosperidade que o País atravessou com a descoberta do ouro em Minas Gerais. As obras estão expostas no módulo Brasil Secreto. Os índios que despertaram a curiosidade dos artistas naturalistas viajantes estão retratados no módulo "O Brasil dos Naturalistas", que entre outras raridades conta com um exemplar do álbum "Viagem ao Brasil", de Johann Baptiste von Spix e Carl Friedrich Phillip von Martius, publicado em Munique, em 1823.

ARTISTAS RENOMADOS
Paisagens e costumes cariocas no século XIX serviram de tema para gravuras produzidas por renomados artistas como o francês J. B. Debret e pelo alemão J. M. Rugendas, presentes do módulo "O Brasil da Capital". Já "O Brasil das Províncias" conta com os raríssimos quadros "Panorama da cidade de São Paulo", do francês Armand Jullien Pallière e "Vista Panorâmica da Baía de Belém do Pará", pintada em 1870 pelo italiano Joseph Léon Righini.
O pintor J.B. Debret assina também um quadro pintado a óleo que traz o registro do casamento de D. Pedro I com D. Amélia, sua segunda esposa. A obra está exposta no módulo "O Brasil do Império", que conta ainda com moedas raras, como a "Peça da Coroação", criada no ano da Independência do Brasil, em 1822. "O Brasil da Escravidão" é lembrado em módulo que reúne gravuras sobre o tema assinadas pelo inglês Henry Chamberlain, J. M. Rugendas e J. B. Debret.
Batizado como "O Brasil dos Brasileiros", o último módulo da exposição reúne a coletânea "Pau Brasil", lançada por Oswald Andrade, em 1925; letras de clássicos da MPB escritas a próprio punho por Vinicius de Moraes e Chico Buarque e parcerias entre artistas brasileiros e estrangeiros, como a série de ilustrações feitas por Henrique Alvim Correa baseadas no romance "A Guerra dos Mundos", do inglês H. G Wells e publicadas em 1903.

Serviço:
Coleção Brasiliana Itaú
Onde – Avenida Paulista, 149, em São Paulo
Horário de visita - De terça a sexta-feira, das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Quanto - Gratuito

*O jornalista viajou a São Paulo a convite do Instituto Itaú Cultural

mockup