Ao completar 30 anos, a organização do Festival de Cinema de Gramado pretendia realizar um documentário para registrar o marco. Sem recursos, partiu para um projeto menos ambicioso: um livro. Lançado com pompa e circunstância durante a edição 2002, ''Gramado 30 Anos de Cinema'' registra a trajetória de um dos mais importantes festivais de cinema do País.
O livro traz artigos de jornalistas e realizadores cinematográficos acompanhados de registros fotográficos que abrangem desde o primeiro evento, em 1973, até a edição de 2001. O símbolo do Festival, o Kikito, aparece em dezenas de fotos nas mãos dos vencedores. O evento até hoje se mantém como uma proposição da Prefeitura Municipal e a cada ano uma comissão executiva se encarrega de organizar o festival, realizado no Palácio dos Festivais, sala com capacidade para 1.100 espectadores.
Sobre o início do Festival de Gramado, Carlos Guimarães Matos Júnior destaca a importância do festival gaúcho para o filme de Arnaldo Jabor, ''Toda Nudez Será Castigada'', premiado em 1973 e aclamado logo a seguir em Berlim. De todos os desafios do Festival de Cinema de Gramado o maior dele foi a escassez de filmes brasileiros na década de 90 com a extinção da Embrafilme. No vácuo da produção nacional, o festival se internacionalizou em 1992. Outro registro importante se refere à presença de diretores do Departamento de Censura que acompanharam diversas edições do Festival, produzindo um desgaste. A apreensão rondava a serra gaúcha, pois os censores poderiam suspender a sessão quando achassem conveniente.
Muitos realizadores começaram em Gramado a exemplo de Jorge Furtado, com o premiadíssimo ''Ilha das Flores'', e Liliana Sulbach com o curta ''A Invenção da Infância'', ambos consagrados e cruzaram os continentes em incontáveis festivais internacionais.
Ao crítico Carlos Eduardo Lourenço Jorge, colaborador da Folha de Londrina, coube o capítulo ''Debates, uma Tradição''. Carlos Eduardo, atualmente na cobertura do Festival de Veneza, faz a coordenação e mediação dos debates no famoso Hotel Serra Azul desde 1990. ''Gramado foi aos poucos, de maneira eficaz e sistêmica, assumindo nos debates seu papel de fórum de discussão. Não somente nos habituais problemas do cinema nacional, mas de atos e consequências daqueles momentos, provocados pelo esmagamento do processo de criação artística, então em plena ebulição'', assinala Carlos Eduardo. O crítico da Folha2 destaca ainda que a atual fase de reanimação do cinema brasileiro mostra reflexos nas sessões de debates, com um público interagindo com dinâmica redobrada.
''Gramado 30 Anos'' abre espaço ao Super 8, fala da homenagem ao comediante Oscarito, com a criação de um troféu criado para premiar personalidades e entidades marcantes para a cinematografia brasileira, e do prêmio Eduardo Abelim. O último capítulo relaciona todos os concorrentes e premiados desde a primeira edição em 1973 até 2001, quando ''Memórias Póstumas de Brás Cubas'', de André Klotzel, levou cinco Kikitos.

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