Marcelo AlmeidaBerenice Mendes: projeto selecionado pelo Ministério da CulturaSó faltaram o ruído das ondas e a maresia para dar um toque ainda mais realista a uma ilha de pescadores, que a produção do filme ‘‘Rosinha, Minha Sereia’’ criou no Parque dos Tropeiros, em Curitiba. O barracão circular do parque ganhou quatro caminhões de areia transportada do litoral, dezenas de plantas típicas, barcos e rede autênticos. Somaram-se ao cenário os casarios, com coberturas de palha, vindas de Paranaguá.
Todo cuidado foi necessário para a recriação de um pedaço da Ilha do Mel, onde acontece boa parte do curta metragem dirigido pela cineasta Berenice Mendes, que deverá ter sua estréia em dezembro.
Enquanto o iluminador Peter Lorenzo retocava as luzes, Berenice justificava todo esse trabalho: ‘‘Com um tempo instável como este, como poderia transportar equipamentos e quase 200 pessoas para a ilha?’’
Desse jeito, com persistência e coragem, a equipe rodou ‘‘Rosinha, Minha Sereia’’, musical que chegará às telas com duração de 15 minutos. Este foi o único projeto paranaense dos 40 selecionados pelo Ministério da Cultura, entre os mais de 500 inscritos de todo o País. Valor do prêmio: R$ 40 mil.
Marcelo AlmeidaEdson
D’Ávila:
‘‘É um
papel
muito bom,
o tema
é um poema’’
LuarAssim que saiu o resultado, Berenice comentou que 70% do filme seriam rodados à noite ‘‘e com lua cheia’’. Com chuvas constantes e o prazo imperioso dado pelo MinC, o desafio foi ainda maior. Se a idéia era levar um pesado equipamento de luz para a praia, ela transferiu-se para dentro de um barracão. Para ter melhor qualidade foi escolhido o filme Vision 320 T, lançamento da Kodak.
O enredo é singelo, extraído de uma música de Alecir Carrigo. Um velho pescador (vivido por Edson D‘Ávila) conta no transcorrer de um fandango a tragédia de sua vida. Rosinha, seu grande e único amor, vinha de barco para a ilha, mas a embarcação virou e ela ficou para sempre nas águas do mar.
O homem tem sempre visões da jovem que aparece convidando-o para encontrá-la nas águas. Desses devaneios ele passa a acreditar que a amada transformou-se em sereia, e o fundo do oceano é agora o seu lar.
PremoniçãoAlecir compôs ‘‘Rosinha, Minha Sereia’’, a partir de um acontecimento verídico, mas que nada tinha de tão romântico. A mulher de um pescador contou-lhe da premonição que teve um dia. Ela ouviu claramente o ruído do motor do barco que transportava os moradores, e o som se interrompeu. ‘‘Minha filha morreu’’, disse nesse instante. A dor da certeza chegou antes da confirmação da notícia.
Marcelo AlmeidaTécnicos
arrumam o
cenário
do filme
‘‘Rosinha,
Minha Sereia’’
As lembranças do pescador - em homenagem ao músico, a cineasta batizou-o de Velho Carrigo - são contadas no transcorrer da dança, interpostas por cenas do passado. Para estas cenas foram escolhidas duas locações - o balneário de Barrancos, no Pontal do Paraná, onde ainda existe uma comunidade de pescadores autênticos, e na Ilha do Mel.
Velho CarrigoEdson D’Ávila, ator veterano que participou dos primeiros tempos da televisão paranaense, e atuou em grandes companhias teatrais como as de Maria Della Costa, Henriette Morineau e Procópio Ferreira, vive Carrigo. ‘‘É um papel muito bom, o tema é um poema. Berenice teve a felicidade de pegar uma história linda que ainda mostra o folclore do caiçara’’.
O fandango, com sua presença obrigatória no filme, é quase um pano de fundo para os acontecimentos. No entanto, a riqueza da cultura litorânea está desaparecendo, os jovens bandearam-se para outros valores e acreditam que esta seja uma manifestação ‘‘pobre’’. Não é. ‘‘Berenice vai mostrar a essa juventude que eles devem continuar a tradição dos avós’’, afirmou D’Ávila.

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