"A História de Nós Dois", com Michelle Pfeiffer e Bruce Willis
é "Harry e Sally" refeito Por Luiz Carlos Merten
São Paulo, 30 (AE) - Lembram-se de Harry e Sally, aqueles que foram feitos um para o outro? Pois é como se eles estivessem de volta, dez anos depois. "A História de Nós Dois"
que estréia oficialmente no sábado, mas terá pré-estréias amanhã (31) em várias salas, poderia chamar-se "Katie e Ben, Feitos um para o Outro. Harry e Sally eram os personagens interpretados por Billy Crystal e Meg Ryan na comédia que Rob Reiner realizou em 1989. Depois de muitas hesitações, casaram-se e viveram felizes para sempre. Para sempre?
Katie e Ben são os protagonistas de "A História de Nós Dois", interpretados por Michelle Pfeiffer e Bruce Willis. É como se o espectador reencontrasse Harry e Sally. Mudaram de nome, continuam feitos um para o outro, mas a convivência está cada vez mais difícil. O desgaste atingiu a união que parecia feliz.
Onde está a garota do capacete que eu amei?, pergunta Ben. Você não acha que eu também não sinto falta dela?, retruca Katie. Nos Estados Unidos, o filme foi recebido a pedradas pela crítica. Não ligue a mínima e veja. "A História de Nós Dois" tem charme. Boa parte dele alicerça-se na empatia entre os atores. Michelle, linda como ela só (e boa atriz), forma uma boa dupla com Willis. O duro de matar revela-se um marido duro de aguentar.
Não só ele. Não espere nada da densidade de um Ingmar Bergman em suas cenas de um casamento, mas a comédia de Rob Reiner também procura mostrar o desgaste que ronda (e ameaça) as uniões aparentemente mais felizes. Começa com Willis, isto é, Ben falando diretamente para o espectador. Ele diz que sempre gostou das histórias com finais felizes. Aquelas em que os velhinhos ficam juntos por 60 anos, um deles morre e o outro não aguenta a tristeza e morre uma semana depois. Não é um bom exemplo, dá-se conta Ben. Não é exatamente um final feliz.
A partir daí, rola um filme que o espectador não sabe exatamente como vai terminar. A fala inicial de Ben aponta para um final infeliz. Mas será que Katie e Ben vão mesmo terminar separados? Logo no começo, na sua primeira cena juntos, eles representam um teatro para os filhos. No dia seguinte será a comemoração de aniversário de casamento dos dois e eles simulam um romantismo sem fim. Vão sair, jantar e dançar. Mal os filhos saem de cena e cada um vai para um lado. O jantar a dois é um tédio. Katie e Ben vivem de fingir felicidade.
Ambos acham que precisam levar a farsa adiante para não decepcionar os filhos. Pressentem que as crianças vão sofrer, caso se separem. Uma discussão que está nas entrelinhas da história, e que qualquer casal que tenha passado por uma crise na união poderá avalizar, é se vale a pena esse tipo de representação. Para que fingir? Uma história de amor é ou não é. Ponto.
Harry e Sally ficou famoso como o filme em que a personagem de Meg Ryan simulava um orgasmo no restaurante e sua vizinha de mesa pedia o mesmo prato que ela. Desta vez, o roteiro não é assinado por Nora Ephron, mas Rob Reiner, filho do também diretor Carl Reiner, revela o mesmo tipo de sensibilidade para captar aspectos do cotidiano de pessoas comuns.
Numa roda de amigos, Ben compartilha experiências sexuais. É um trio. Conversam e riem sobre safadezas tipicamente masculinas. Uma observação sobre um atributo físico de uma mulher aqui, de outra ali, pequenas confissões que liberam desejos reprimidos. Paralelamente, o diretor mostra outro trio, em outra conversa de bar. Agora são as mulheres que falam sobre suas uniões. Uma conta como fingiu que estava dormindo para não ter de fazer sexo com o marido - e como se aborreceu quando ele, por sua vez, fingiu que estava dormindo para não ter que levantar e atender o filho que chorava no quarto ao lado. Pequenas histórias de casais que fazem o encanto de um filme que pode ser visto sem enfado e até com certo prazer. Serviço - A História de Nós Dois. Comédia romântica. Direção de Rob Reiner. Com Bruce Willis, Michelle Pfeiffer, Rita Wilson. Duração: 94 minutos. Livre. Distribuição: Warner Bros.





