A história da medicina passa por aqui
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terça-feira, 24 de junho de 2003
<br> Ana Setti Rosa<br> Reportagem Local 
Criada oficialmente no dia 18 de outubro de 1941 e sendo apenas sete anos mais nova do que a cidade, a Associação Médica de Londrina tem muitas histórias para contar. Histórias que poderiam estar perdidas, caso documentos, fotos, artigos de jornal e até mesmo peças e equipamentos que marcaram o desenvolvimento da Associação, ao longo de seis décadas, não tivessem sido preservados. Contudo, foi só a partir de 1997 que a idéia de formalizar o trabalho por meio de um Centro de Documentação e Memória (CDM) começou a tomar forma.
Sob a coordenação da historiadora Amelia Tozzetti Nogueira, que conta, para desenvolver seu trabalho, com o apoio dos departamentos de História, Arquivologia e Biblioteconomia da UEL, o CDM se organizou e já está sendo utilizado como fonte de pesquisa pela comunidade. Como afirma o médico Samuel Silva da Silva, diretor da AML, responsável pelo setor, ''o CDM representa o resgate de uma longa e produtiva história, que tem a ver com o desenvolvimento da medicina no Brasil e que se funde com a própria história de Londrina''.
Contando com cerca de 30 mil documentos, no total, o Centro de Documentação recuperou e ordenou o arquivo permanente de sócios - cerca de 1.500 médicos até o momento; o arquivo de eventos científicos da Associação - palestras, reuniões mensais, jornadas, semanas regionais, congressos médicos -, que inclui artigos de jornal publicados desde 1943; e os registros fotográficos, com 5.279 fotos já identificadas e separadas em 475 pastas, e outras 2 mil na fila de espera. Mas a história, resgatada pelo CDM, vai além de documentos e fotos, sendo contada também por meio de livros raros, como um compêndio alemão sobre técnicas cirúrgicas, datado de 1791, ou um manual francês de estrabismo, de 1896; e a partir de equipamentos que foram novos... há mais de 50 anos. É o caso, por exemplo, do epidiascópio, aparelho de projeção de imagens, adquirido em 1950 e muito usado no apoio às palestras proferidas pelos médicos da Associação ao longo desses anos, ou do equipamento de raio X, com muitas décadas de bons serviços prestados, ou ainda do aparelho de anestesia gasosa, da mesma época.
Isso tudo, como informa Amélia, ''configura-se como o embrião de um futuro museu'', que deverá abrigar, igualmente, outras preciosidades, doadas por famílias de médicos já falecidos, como o violino de quase 100 anos, que pertenceu ao radiologista Gugliemo Rizzi, e o missal romano, de 1958, usado pelo clínico geral Justiniano Clímaco da Silva. Pode parecer curioso, mas, para um centro de documentação, a história pessoal tem tanta importância, quanto a história geral. E é sob essa perspectiva que o Projeto de História Oral do CDM começa a ser desenvolvido. ''Já fizemos 20 entrevistas'', comenta Amelia, ''nas quais os médicos ficaram inteiramente à vontade para contar não só sobre sua vida profissional, como pessoal''. O tempo, nesse caso, é um aliado de grande importância, como faz questão de ressaltar o doutor Samuel. ''Não se pode correr o risco de perder os fatos contados pelos próprios protagonistas'', afirma. Em seu depoimento ao projeto, o oftalmologista Romão Sessak, responsável pelo primeiro transplante de córnea realizado em Londrina, no final da década de 50, coloca esse mesmo tempo sob outro ponto de vista. Para ele, organizar o passado é assegurar o futuro, ''porque a Associação Médica não existe para daqui a dez anos, nem para daqui a vinte, cinquenta... Ela existe para sempre''.
Serviço: Centro de Documentação e Memória da Associação Médica de Londrina
Praça 1º de maio, 130. Fone: (43) 3324-8719. Horário de atendimento: das 14h00 às 18h00.


