A história da corrupção em Londrina
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segunda-feira, 27 de julho de 2015
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
A "História da Corrupção em Londrina" é o tema do projeto Café com quê?, que acontece hoje, às 19 horas, no Sesc Cadeião Cultural. O assunto será abordado pelo jornalista, pesquisador e escritor Tony Hara, responsável pela reedição de livros históricos como "Escândalos da Província" (Edson Maschio, publicado em 1959) e "Dos Porões da Delegacia de Polícia" (Marinósio Filho-1979), publicações que compõem a Coleção Doc.Londrina, criada por ele, em 2011. Durante o encontro o convidado falará sobre atividades ilícitas praticadas na cidade desde o contrabando de café nos anos 1950 até a lavagem e desvio de dinheiro público deflagrados pela operação Lava Jato, que tem como um dos personagens principais o doleiro londrinense Alberto Youssef.
"Desde a época da colonização, a história de Londrina está ligada à corrupção. Isso começou ainda nos anos 1950 quando maquinistas e comerciantes começaram a contrabandear pelo Paraguai o café produzido aqui para fugir das altas taxas de impostos criadas pelo governo brasileiro. Movimento que passou a fazer o caminho contrário nas décadas seguintes com a importação de produtos paraguaios", afirma Hara.
Segundo ele, no mercado paralelo os envolvidos conseguiam lucrar até quatro vezes mais do que pelas vias normais. "Enquanto o lucro era de dois mil cruzeiros por saco de café exportado pelo porto de Paranaguá, ao despachá-lo para o Paraguai por meio da cidade de Ponta Porã, que faz divisa com o município de Pedro Juan Caballero, era possível obter um lucro de oito mil cruzeiros. Como naquela época Londrina ainda era um sertão e não havia fiscalização e polícia suficientes, os corruptores desfrutavam de um cenário propício para a praticar atos escusos", argumenta.
A posição geográfica da cidade - distante dos grandes centros - também facilitava as práticas criminosas, na avaliação de Hara. "Era um período em que muita gente ficou rica com compra e venda de terras e outras transações comerciais. Como aqui só tinha pessoas vindas de fora, era comum cometer deslizes nos negócios, ir embora e nunca mais voltar aqui", salienta.
A escola da criminalidade, segundo Hara, contava com apoio de autoridades políticas e policiais. "Todos sabiam de um delegado de polícia que mantinha um caso amoroso com uma das principais cafetinas da cidade. Dessa forma os casos de exploração da prostituição eram encobertos pelas autoridades locais. Tem ainda o caso do bicheiro Jacy Scaff que, apesar de comandar negócios ilícitos, passou a contar com o apoio de políticos depois de colocar o Londrina no Campeonato Brasileiro de 1976, ano em que presidia o time", lembra.
Doutor em História pela Unicamp, Hara destaca a importância de eventos como o "Café com quê", promovido pelo Sesc Cadeião Cultural. "As reflexões levantadas nesses encontros com o público nos ajudam a entender como chegamos aonde estamos hoje. No caso da corrupção da cidade, por exemplo, abrindo esse espaço é possível constatar que a escola da criminalidade formada lá atrás acabou resultando em escândalos mais recentes. Os casos de desvio da AMA-Comurb e os ligados ao doleiro Alberto Youssef são alguns desses exemplos. É maravilhoso termos um espaço para falar sobre isso", ressalta.
Serviço:
Projeto "Café com quê"? com Tony Hara
Quando Hoje, às 19 horas
Onde Sesc Cadeião Cultural (R. Sergipe, 52)
Quanto - Gratuito



