A herança dos faraós

As colossais pirâmides, monumentos funerários dos reis egípcios, são os monumentos mais visitado do mundo


Fotos: Maranúbia BarbosaNômades do deserto conduzem caravanas de camelos ao lado das pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos. Ao fundo a cidade do CairoEra uma de suas incursões militares Napoleão esteve no Egito e ao avisar as pirâmides, filosoficamente atestou: ‘‘Do alto dessas pirâmides, quarenta séculos vos contemplam’’. Depois da célebre frase muita água já rolou debaixo da ponte da história. Napoleão, inclusive, exilou-se na ilha de Santa Helena depois de ter perdido a batalha. Celebridades vieram e se foram rápidas como cometas. O mundo conheceu as mais ousadas inovações no campo bélico, científico e tecnológico. Mas as pirâmides continuam lá. Incólumes, como se o tempo não tivesse passado. Impávidas e colossais, como a espreitar a história.
Testemunhas do passado glorioso de um povo, as pirâmides são o monumento mais visitado do mundo. Milhares de turistas vão todos os anos ao Egito e são unânimes em afirmar que elas são obras-primas da engenharia. Queóps, a maior de todas, medindo 146,60 metros de altura, erguida por volta de 2600 a.C., é a única das sete maravilhas do mundo que resistiu ao tempo. Este monumento funerário era construído apenas para abrigar os despojos do faraó, que acreditava na vida além-túmulo. Para que pudesse fazer a viagem após a morte, o corpo tinha que ser preparado, iniciando-se assim, um cuidadoso processo de mumificação. Cenas do cotidano, da vida familiar e das colheitas decoravam as paredas das tumbas.
Obras faraônicas Além de Queóps, em Gizé, arredores da cidade do Cairo, estão as pirâmides de Quéfren e Miquerinos, perfeitas por seu rigor geométrico e simbolizando a escada que conduziria o faraó em direção a Rá, o deus Sol. Diante do trio colossal fica clara a origem da expressão ‘‘Obra faraônica’’. Majestosa, a Esfinge fica ao largo das pirâmides, como uma guardiã silenciosa.
Esfinge de alabastro na cidade de Mênfis, uma das mais antigas do Egito
Tudo começou em Mênfis, cidade do Egito Antigo, 35 km ao sul do Cairo, fundada por Menés, o primeiro a ser chamado de faraó, que literalmente significa ‘‘grande casa’’. No ano de 2800 a.C., Djoser mandou seu arquiteto Imhotep erigir a primeira pirâmide escalonada na história em Sakarah, subúrbio de Mênfis. Aí se encontra também um complexo funerário com numerosos baixos-relevos de grande beleza que ilustram o dia-a-dia no antigo Império.
O esplendor das jóias que acompanhavam os faraós não ficou livre da cobiça dos ladrões. Quase todas as tumbas foram saqueadas, inclusive as de Gizé, que expõe à visitação apenas as galerias e as câmeras mortuárias.
Um passeio que não deve ficar de fora é a entrada na pirâmide de Quéops. A sensação que se experimenta é diferente de tudo o que você possa imaginar. A subida em direção à câmara mortuária é uma prova para quem tem nervos sob rigoroso controle. Caminha-se agachado por um estreito corredor que segue íngreme em direção ao topo da pirâmide. Os claustrófobos estão dispensados do desafio. Quem consegue ir até o final testemunha que nada existe além de um túmulo vazio. Porém, a caminhada é recompensada por uma sensação de incompreensível leveza e bem-estar.

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