Durante muitos anos o livro ‘‘O Mez da Grippe’’, de Valêncio Xavier, editado pela Fundação Cultural de Curitiba, ficou na condição de uma obra cult, consumido por leitores literalmente apaixonados. Dezessete anos depois de sua primeira edição, o romance ganha ares nacionais - está sendo lançado pela Companhia das Letras, num volume que reúne outros títulos já publicados pelo autor, além de um inédito.
A sessão de lançamento acontece hoje, a partir das 11 horas, na Feira do Livro, realizada na Praça Osório, em Curitiba. ‘‘O Mez da Grippe e Outros Livros’’ traz também ‘‘Maciste no Inferno’’, ‘‘O Minotauro’’ e ‘‘O Mistério da Prostituta Japonesa & Mimi-Nashi-Oichi’’. O ineditismo fica por conta de ‘‘Treze Mistérios + O Mistério da Porta Aberta’’.
O autor vive um momento de enorme alegria com o trabalho. A satisfação não vem de agora, quando a obra começa a ganhar as ruas. Ela começou assim que teve início o processo da edição. ‘‘Trabalhar com a Companhia das Letras é uma experiência fascinante’’, elogia.
Há 12 anos o escritor não tinha em mãos um novo livro. O último foi ‘‘O Mistério da Prostituta Japonesa’’, em 1986. Nada, porém, se compara a esta coletânea. ‘‘Quando recebi um exemplar da editora foi como se estivesse lendo pela primeira vez. A qualidade do produto, a impressão, o papel, a capa - tudo nele era novo. Vi que nesse livro estou por inteiro. Minha mulher costuma dizer que o que escrevo é coisa para psiquiatra. Ela tem razão - estou ali escrachado.’’
Está e não muda, como ele mesmo afirma:
- O que tenho de bom é isso, escrevo com a mais absoluta liberdade. Se meus livros têm algo de bom, esse algo é a minha liberdade. E se alguém me pedisse um conselho diria isso: escreva o que tem na cabeça, não corte nada.
Tem mais. Valêncio Xavier escreve ‘‘aquilo que eu, como leitor, gostaria de ler’’. A história do público vem depois. Se o cidadão Valêncio não gosta do que leu, dispensa tudo que fez e começa tudo de novo. ‘‘Tenho que me satisfazer’’, explica.
Com o nome impresso na mesma capa que traz o símbolo da Companhia das Letras, o escritor sente que as coisas começam a mudar. ‘‘Este livro me fez ver que as pessoas gostam do que escrevo e de certa maneira tenho que escrever a elas. Não que eu vá mudar minha maneira, o meu estilo para agradar a este ou aquele, mas preciso me dedicar mais. Inclusive comecei a refundir textos que tinha escrito há anos. Começa uma nova etapa para mim’’, finaliza.
A Feira do Livro promove um segundo lançamento, ‘‘1968 Faz 30 Anos’’, coletânea que reúne sete ensaios sobre os movimentos estudantis de um dos anos mais conturbados dos últimos tempos. Publicada pela Editora Mercado de Letras, da Universidade de São Carlos e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a obra condensa episódios ocorridos no eixo Rio-São Paulo e também em Curitiba, Belo Horizonte, Goiânia e Maceió. Faz ainda uma breve retrospectiva do movimento estudantil desde os anos 60 até o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
O violeiro e pesquisador do cancioneiro nacional, Alecir Carrigo, dá o tom musical na feira. De sua viola de dez cordas sairão clássicos de Ernesto Nazareth, Villa-Lobos e Maurice Ravel, além de composições próprias. Por sua vez o grupo teatral Carrascos Ambulantes fará uma performance utilizando as várias linguagens cênicas.Joel/DivulgaçãoValêncio Xavier: escritor inaugura nova fase e refunde textos escritos há anosZeca Corrêa Leite

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