Como Mateus, de ''Paraíso Tropical'' da Globo, Gustavo Leão conquistou mais do que fama. Ele ganhou também elogios dos críticos e de atores mais experientes, que o apontam como uma grande promessa na televisão. Por isso, chega a ser surpreendente saber que Gustavo já pensou em abrir mão da carreira por causa das críticas. Foi quando estreou em ''Floribella'', da Band, em 2005. Na novela, ele interpretou o romântico Guto, que era cantor. ''Diziam que eu era péssimo e comecei a me perguntar o que estava fazendo na novela'', confessa.
Gilberto Braga resolveu apostar no garoto e ele vem respondendo à altura. Assinou contrato até 2009 na Globo, seu personagem cresce cada vez mais na novela e, agora, ele já se sente bem mais à vontade dentro e fora de cena. ''O reconhecimento do autor, da emissora e do público indica que estou fazendo meu trabalho bem-feito'', avalia Gustavo, ao demonstrar maturidade e nenhum sinal de deslumbramento com o sucesso.


Você imaginava que seu personagem teria tanto destaque na trama?

O sucesso deste meu trabalho não está acontecendo por acaso. Depois que terminei de fazer ''Floribella'', na Band, estudei bastante. Consegui chegar bem para essa novela e o Gilberto Braga me deu uma oportunidade valiosa. Lembro de quando era menino e via a Glória Pires em ''Mulheres de Areia'', adorava aquilo. Mais tarde comecei a acompanhar o cinema nacional e conheci o trabalho do Wagner Moura. Agora faço novela com eles. Quando esses atores estão gravando uma cena no estúdio, sempre paro para assistir porque isso vai acrescentar muito na minha carreira. Acho que consegui toda essa visibilidade porque sempre procuro melhorar, aprender. Nunca acho que está bom.


É uma visibilidade e tanto para um jovem de 20 anos que está apenas na segunda novela. Isso não deslumbra você?

Encaro a minha profissão como a de um faxineiro ou porteiro de prédio. A diferença é que, quando você é ator, todo mundo vê você. Acho que o fato de não me deslumbrar com esse mundo vem da minha criação. Não sou pobre, mas também nunca tive uma vida fácil. Meu avô saía de cidade em cidade para vender leite. Eu e meu irmão fomos criados só pela minha mãe desde que eu tinha 3 anos e meus pais se separaram. Os dois espelhos da minha vida são eles e hoje eu sou o mesmo cara que saiu de Praia Grande, no litoral paulista, sem ser conhecido por ninguém. Dou muito valor ao que conquisto e não me acho diferente ou superior a ninguém porque apareço na tevê. O que assumo é que acho legal e fico orgulhoso com o fato de minha família ligar para dizer: ''que legal aquela cena que você fez com o Tony Ramos! A gente nunca imaginava ver você com ele''.


No início da sua carreira nem sempre as críticas foram construtivas. Em algum momento se sentiu mais abalado?

Houve um momento muito difícil que pensei em desistir dessa história de ser ator. Foi quando passamos da primeira para a segunda fase de ''Floribella''. Todo mundo só me criticava. Diziam que eu era péssimo. Comecei a me perguntar o que eu estava fazendo em um estúdio de televisão. Mas quando a Band renovou o contrato comigo, pensei que era hora de mostrar o que estava fazendo ali. Então parti para os estudos. Esse trabalho me dá muito orgulho porque além de ter sido o início de tudo, me deu os melhores amigos que tenho no Rio.


Agora você já é apontado como uma grande promessa. Sente-se mais seguro na profissão?

Quando profissionais da área mais experientes dizem que sou uma promessa ainda fico vermelho, mas hoje me sinto mais tranquilo com tudo, sim. Assinei contrato com a Globo até 2009 e acho que isso mostra que o meu trabalho está agradando a todo mundo.

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