A grande obra desconhecida
A grande obra desconhecida
A primeira vez que Paulo Leminski teve um trabalho literário seu publicado, foi em 1964 na revista Invenção, que Décio Pignatari dirigia. Leminski foi até Minas Gerais, em 1963, conhecer um dos criadores do movimento concretista. Tornaram-se amigos. Mais de 30 anos depois, Pignatari diz em alto e bom som que o público lê e reverencia o mediano Leminski. Sua grande obra ainda hoje permanece obscura: Catatau.
A grande obra dele está escondida atrás da obra menor, dispara. Pignatari reclama a falta de uma edição crítica do desconhecido romance experimental. O que ele quer é um trabalho sério, que uma equipe disseque com profundidade o texto leminskiano, que se analise linha por linha tudo o que o autor quis dizer.
Leminski levou oito anos para escrever o romance e escreveu 800 poesias em oito anos que é o que todo mundo lê, vocifera. Daí ampliou-se o que o professor chama de praga que infesta não só o Paraná como todo o Brasil: o haicai. Haiqueda da poesia, como define Pignatari. Não aguento mais tanta gente fazendo milhares de poemas leminskianos, ironiza.
É preciso parar com esses haicais insuportáveis e trabalhar em uma edição crítica do Catatau, uma coisa séria, sem parentes pelo meio. É o que está faltando, decreta o poeta.
Para Pignatari, Leminski faz parte do que ele chama de estranho grupo de arruinados pelo sucesso. Inclusive, Freud fez um estudo sobre as pessoas que chegam ao êxito e se autodestroem. O sucesso veio, ele pifou. Começou a viver bem, a ter base financeira e foi para o buraco negro. (Z.C.L.)





